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A desumana desigualdade brasileira

Por: Elite FM
Publicado em 08/04/2018

A exploração sistemática do ser humano por outro ser humano se consagrou como uma forma de vida. Teoricamente, esse sistema de vida teve um fim com a Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), que se propunha a dar um fim ao regime monárquico. Infelizmente, em nosso país, passados 240 anos, ainda vivemos sob a égide de um estado de privilégios monárquicos, apesar de, no papel, vivermos em uma República. É vergonhoso que altas autoridades ajam como monarcas despóticos. Alguns exemplos recentes: Juízes das altas cortes suspendem julgamentos importantes porque precisam se ausentar por compromissos particulares; juízes retomam matérias já julgadas, simplesmente porque assim o desejam; representantes do Congresso se atribuem feriados e período de férias que nenhuma outra classe trabalhadora possui; alguns, usam aviões da Força Aérea para tratarem de assuntos pessoais, como realizar implantes de cabelo ou assistir a uma festa de casamento; governadores tomam helicópteros do estado, para visitarem suas propriedades de fim de semana ou para buscar seu animalzinho de estimação. Os exemplos acima poderiam ser cômicos se não fossem trágicos e pior, eles estão respaldados pela legislação ou por normas legais. Por trás desses atos estão milhares de outros que delapidam a moral da sociedade, que tiram recursos dos menos favorecidos, que não permitem investimentos sociais. Não, não somos todos iguais: não temos Liberdade porque não temos segurança nas ruas; não temos Igualdade por que não temos 15 salários por ano e nem férias de 60 dias; não temos Fraternidade, porque a situação que vivemos gera um clima de ódio e de extremismos. O Brasil continua sendo o país dos privilégios monárquicos.


Fonte: Celso Luiz Tracco - economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga - a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.