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Moro vê retrocessos no combate à corrupção e não se arrepende de atos na Lava Jato

Por: Elite FM
Publicado em 31/03/2021
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O ex-ministro Sergio Moro sondado para ser candidato à presidência com boa aceitação-Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro Sergio Moro afirmou que o Brasil passa por retrocessos no combate à corrupção e que a "janela de oportunidades" no setor que foi aberta com a operação Lava Jato está sendo desperdiçada. Ele também declarou não se arrepender das atitudes que tomou enquanto atuou como juiz nos casos relacionados à operação, quando conduziu a 13ª Vara de Curitiba. Moro disse que o Brasil passava por um momento de transformação, "com reconhecimento internacional". Ele fez um comparativo com o combate à inflação: segundo ele, a virada que o país deu no campo econômico, com o Plano Real, durante a década de 1990, poderia também ser promovida no segmento da redução da corrupção, na esteira das ações da Lava Jato. "Infelizmente, não vejo essa agenda em Brasília hoje", declarou o ministro. Como exemplo de uma dessas bandeiras que foi deixada de lado, ele mencionou a prisão dos condenados em segunda instância. Moro disse que as críticas que a Lava Jato recebe por supostos "excessos" são feitas de forma abstrata. Segundo o ex-ministro, a operação pode ter cometido erros, "mas de forma mal-intencionada? Jamais". Como exemplo, o ex-juiz citou o caso da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 2016. O episódio foi determinante para que Moro fosse considerado, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito no caso do petista. Segundo Moro, o procedimento seguiu o padrão da época. Ele disse, ainda, que tomou medidas que considerou favoráveis a Lula  durante a prisão. O ex-ministro disse também considerar "uma grande bobagem" as acusações que a Lava Jato promoveria uma "criminalização da política". Para ele, a "criminalização" foi feita sobre quem pagou ou recebeu suborno, e uma das evidências que é falha a ideia de "criminalização da política" seria o fato de que a Lava Jato condenou representantes de diferentes partidos. O ex-juiz afirmou ainda que aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro por entender que poderia desenvolver um projeto de combate à corrupção e ao crime organizado e que saiu quando entendeu que isso não seria possível. Moro pediu para sair do governo em abril do ano passado, acusando Bolsonaro de interferência no trabalho da Polícia Federal.


Fonte: Gazeta do Povo