Poços artesianos são a solução para driblar a crise hídrica? Não é bem assim - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Poços artesianos são a solução para driblar a crise hídrica? Não é bem assim

Por: Elite FM
Publicado em 11/03/2021
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Perfuração desenfreada de poços artesianos pode contaminar os aquíferos subterrâneos-Foto: Jaelson Lucas/AEN

A crise hídrica que assola o Paraná desde os primeiros meses de 2020 desencadeou um aumento no número de pedidos de autorizações para a perfuração de poços artesianos por todo o Estado. Em janeiro e fevereiro de 2020 foram concedidas 232 Anuências Prévias para a perfuração de poços. Neste ano, nos primeiros 60 dias já foram emitidas 351.A anuência prévia é o primeiro passo para quem quer fazer a perfuração de um poço artesiano. Mas especialistas alertam que a medida não é uma alternativa para driblar a crise. Poços artesianos só devem ser perfurados se forem obedecidas todas as normas técnicas vigentes. A perfuração irregular é um risco para a saúde pública, além de que pode contaminar e diminuir a vazão dos aquíferos de água. Os aquíferos também sofrem o impacto da estiagem. Eles são formações rochosas que armazenam água e transbordam para os rios. “Se a perfuração de poços artesianos for amplamente explorada e utilizada como alternativa para o abastecimento, isso poderá causar uma redução nos níveis de água presentes nessas formações”, explica Natasha Cecilia Hessel de Goés, engenheira civil e gerente de outorga de recursos hídricos do IAT. No processo de Anuência Prévia devem constar a locação do poço, com todas as coordenadas. Nem todos os locais são apropriados para a perfuração de poços, por isso a avaliação prévia é necessária. Em alguns locais, o subsolo pode estar contaminado. As restrições também se aplicam a áreas de preservação ambiental (APAs), áreas de preservação permanentes (APPs) e unidades de conservação (UC). Depois da Anuência Prévia, é hora de fazer a perfuração e a análise da qualidade da água. As amostras de água coletadas no aquífero devem ser enviadas para um laboratório certificado e credenciado ao IAT. Só depois deste processo é que o usuário pode entrar com o pedido de outorga para a exploração das águas subterrâneas.


Fonte: Gazeta do Povo