Do genocídio ao sucesso sanitário: como as estatísticas são usadas para justificar qualquer discurso - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Do genocídio ao sucesso sanitário: como as estatísticas são usadas para justificar qualquer discurso

Por: Elite FM
Publicado em 28/02/2021
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O que tem mais peso, 5,88 milhões de vacinados ou pífios 2,77%? Depende de quem cita o dado. E com qual intenção- Foto: Pixabay/Gazeta do Povo

O brasileiro está confuso, e com bons motivos. Afinal, vivemos num genocídio causado pela pandemia ou o Brasil está caminhando na velocidade da média global? Estamos vacinando muito pouco ou somos líderes em vacinação mundial? Há diferentes respostas para cada questão. Tudo depende de como se olha os números – daí a dificuldade em encontrar um ponto de vista mais completo. Por exemplo: de acordo com a publicação cientifica Our World in Data, que coleta dados sobre grandes problemas globais, no dia 22 de fevereiro de 2021 o Brasil era o segundo país do mundo com mais mortes de Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos. O país responde por aproximadamente 10% do total de vítimas fatais da doença, apesar de ter apenas 2,7% da população do planeta. Ainda assim, quando se calcula o total de mortos para cada 1 milhão de pessoas, de forma a estimar o alcance da doença de acordo com a população do país, o Brasil cai para 24º colocado, atrás de, por exemplo, Reino Unido, Itália e Estados Unidos. São 1.169 mortes por milhão de pessoas em terras brasileiras, contra 2.151 do primeiro colocado, San Marino. As mesmas diferenças entre valores brutos e proporcionais à população se manifestam quando o assunto é vacinação. No total de pessoas inoculadas contra Covid-19, só perdemos para Israel e Estados Unidos (dados do dia 18 de fevereiro). Na proporção por 100 habitantes, estamos em quarto. Com 6,88 milhões de vacinados, Israel tem 80% de sua população já inoculada, contra 2,77% do Brasil. O que tem mais peso, 6 milhões de vacinados, o equivalente às populações de Brasília e Salvador, somadas, ou 2,77%? Depende de quem cita o dado. E com qual intenção. Para Regis Andriolo, especialista em saúde baseada em evidências com doutorado pela Universidade Federal de São Paulo, existem diferentes maneiras de manipular os resultados de um estudo em saúde. “Distorcendo a amostra, aplicando métodos estatísticos errados e selecionando apenas variáveis cujos resultados se alinham com as expectativas dos autores”, cita ele. Utilizando essas estratégias, diz ele, é possível produzir e selecionar resultados que sustentem uma tese prévia – o contrário do que deveria fazer a ciência, com sua proposta de observar o mundo meticulosamente, extrair informações, analisá-las, e só então alcançar uma conclusão, que precisa ser testada e checada tantas vezes quanto necessário. “Essa manipulação acontece por ignorância ou por má fé”, afirma Andriolo. 


Fonte: Gazeta do Povo