Lavar pacote de batata-palha? Principal via da Covid-19 não são superfícies - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Lavar pacote de batata-palha? Principal via da Covid-19 não são superfícies

Por: Elite FM
Publicado em 21/02/2021
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OMS, CDC norte-americano e cientistas destacam importância de prevenir transmissão entre pessoas e pelo ar-Foto: Bigstock/Gazeta do Povo

No início de 2020, com poucas informações sobre a infecção pelo Sars-CoV-2, as orientações para evitar o vírus incluíam a limpeza constante de superfícies e objetos. Quem ia ao supermercado ou farmácia, voltava sabendo que iria passar boas horas lavando todos os itens comprados, fora as sacolas plásticas ou de pano. Hoje, essa tarefa pode ser abreviada, pois está cada vez mais claro que a principal forma de transmissão do coronavírus se dá pelas gotículas respiratórias (espirro, tosse ou fala) expelidas de uma pessoa a outra, sejam gotas maiores ou em formato de aerossóis. Em um editorial publicado no início de fevereiro, a revista científica Nature destaca que a prioridade na preocupação deveria ser a transmissão pelo ar do Sars-CoV-2 e, embora as superfícies sejam locais plausíveis de disseminação, os casos de isso ocorrer são também mais raros." A gente chama de transmissão eventual", explica Renato Kfouri, médico pediatra e infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. "Você tem as vias clássicas de transmissão e as vias eventuais. A via clássica de uma doença respiratória é a aérea. Por superfície não é desprezível. Se você tocar uma superfície recém acometida por um material viral, e na sequência levar a mão para olho, nariz, boca ou garganta, você pode se autoinfectar. Mas ela não é a principal via", completa. Por isso que a higienização das mãos, ao lado do uso da máscara e o distanciamento social, faz parte dos principais cuidados que devem ser tomados contra o vírus. "Além de lavar, não levar a mão ao rosto, para evitar essa autoinoculação, autoinfecção. Nós tocamos em superfícies potencialmente contaminadas o dia todo. Se você deixar o celular na mesa, alguém pode espirrar nele e se você colocar o aparelho no rosto, pode se contaminar. Mas, no caso da Covid-19, não é a via habitual. É raro pegar a Covid-19 esfregando a mão na mesa e depois no olho. Não é a forma mais comum", orienta o especialista. E a limpeza ostensiva das compras? Segundo Kfouri, essa medida poucos orientavam, mesmo no início da pandemia. "Era muito mais uma crença popular do que uma orientação embasada. Você cortar a barba, ou prender o cabelo, ou limpar a pata do cachorro porque isso pode transmitir, essa não é a via habitual". Segundo o especialista, os estudos que verificavam a presença do vírus em superfícies inanimadas, como madeira, vidro, entre outros, mesmo horas depois da contaminação nem sempre indicam uma viabilidade daquele vírus. Ou seja, por mais que o coronavírus esteja ali, não significa que ele será capaz de se replicar no organismo depois. "Infectologicamente falando, trocar tênis da criança quando chega na escola, trocar de roupa, encapar caderno, para passar álcool, são medidas adicionais e que não reduzem a transmissão tanto quanto a lavagem das mãos e o não compartilhamento de objetos", explica.


Fonte: Gazeta do Povo