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Extremismo, mitagem e lacração garantem o sucesso dos políticos na mídia

Por: Elite FM
Publicado em 21/02/2021
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Foto: Reprodução/Instagram/Gazea do Povo

Levantamento com mais de 50 mil reportagens mostra que discurso radical compensa mais para os políticos do que trabalhar. A bancada da live veio para ficar ou os eleitores vão perceber que eles não entregam? É uma pergunta complicada e que não se restringe à realidade brasileira, repete-se em todo o mundo. A sensação de que o ambiente político se radicalizou é generalizada e não tem explicações fáceis, a não ser entre os próprios radicais. Existe uma conjunção de fatores, passando pela evolução tecnológica e economia, que acabaram contribuindo para a radicalização. O Think Tank "The Conversation", fundado por várias das universidades mais importantes dos Estados Unidos, acaba de publicar a análise de uma compilação de vários estudos que ajudam a explicar a radicalização política. Quanto mais radical, seja de esquerda ou de direita, mais espaço o político terá na mídia tradicional. Não se trata de opinião, mas de fato, apontado por levantamento de mais de 50 mil reportagens nos últimos 20 anos. É possível alegar que é natural colocar no noticiário o que mais chama a atenção, mas seria uma explicação bastante simplista. Afinal, por que houve uma mudança sobretudo a partir de 2010 e antes não era assim? Sempre o noticiário foi sobre o que mais chama a atenção. Os professores universitários Johanna Dunaway, Jeremy Padgett e Joshua P. Darr acabam de publicar um artigo com exemplos práticos de como as mudanças no mercado da comunicação dos Estados Unidos têm um reflexo claro na qualidade da política, sobretudo no Legislativo. É uma análise que também vale para o Brasil. Quando alguém reclamava da qualidade do parlamento brasileiro com Ulysses Guimarães, ele advertia que a próxima legislatura seria pior. Sempre parecia inacreditável. Houve tempos em que o fundo do poço foi um Enéas aqui e um Tiririca acolá, o fisiologismo, a corrupção, as tantas chagas conhecidas da nossa política. A elas se somou outra, a "bancada da live". Não é apenas no Brasil que surgiu esse gigantesco serviço de inutilidade pública cada vez mais popular. A deputada Janaína Paschoal Falando da "bancada da live", ficou intrigada: "eu não consigo entender que hora esse pessoal trabalha". Pois é, não trabalha. Hoje compensa bem mais para os políticos investir exclusivamente em declarações bombásticas. A "bancada da live", cujo trabalho legislativo é unicamente o de entretenimento sensacionalista, é um fenômeno mundial. É fato que compensa muito mais para um parlamentar fazer vídeo xingando do que trabalhar no orçamento do país, aliviar empreendedor que naufragou na pandemia ou garantindo a saúde das próximas gerações. Isso não vai mudar se ninguém der o primeiro passo. 


Fonte: (Madeleine Lacsko-Gazeta dp Povo)