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O Chile e sua nova Constituição

Por: Elite FM
Publicado em 30/10/2020
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Normalmente, em muitos países, momentos de grandes mudanças institucionais costumam ser acompanhados da redação de uma nova Constituição, já que o texto anterior costuma ser profundamente vinculado ao regime ora extinto. Foi assim, por exemplo, no Brasil em 1946 e em  1988. O Chile, no entanto, não concluíra esse trajeto: o ditador Augusto Pinochet deixou o poder em 1990, mas a Constituição promulgada durante seu regime continuou valendo, tendo sido bastante emendada para acomodar o retorno à democracia. Agora, o país sul-americano fechará o ciclo: em um plebiscito realizado no domingo, dia 25, com participação de pouco mais de 50% dos eleitores (o voto no Chile é facultativo), a população decidiu pela redação de uma nova Constituição, que será elaborada por uma Assembleia Constituinte especificamente eleita para essa tarefa.O plebiscito foi a resposta do presidente Sebastián Piñera a uma série de protestos realizados entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020 e que, apesar de seu início pacífico, logo degeneraram em saques, depredação, vandalismo e mortes. No caso chileno, o risco derivado de se propor uma nova Constituição a reboque do calor dos acontecimentos será amenizado pela ampla aceitação da proposta, já que o “sim” teve 78% dos votos, perdendo apenas em 5 das 346 comunas do país.Apesar dos bons resultados econômicos, no entanto, restam questões relativas à desigualdade social e ao que é visto como uma ausência completa do Estado em setores importantes, deixando de lado até mesmo a possibilidade de atuação subsidiária.A chave para saber se o Chile seguirá no caminho do desenvolvimento econômico ou se cairá no caminho fácil do populismo, que promete demais e entrega pouco. Se a maioria estiver alinhada com Piñera, de centro-direita, é de se esperar que a orientação atual seja mantida; no entanto, se a esquerda conseguir dominar o colegiado, que redigirá a nova carta, muitos se lembrarão do tweet do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, elogiando o resultado do plebiscito, como um presságio de dias piores para os chilenos a exemplo da Venezuela e agora até da Argentina.


Fonte: Gazeta do Povo