Redes Sociais: os idiotas sempre tiveram voz, a diferença está em quem os ouve - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Redes Sociais: os idiotas sempre tiveram voz, a diferença está em quem os ouve

Por: Elite FM
Publicado em 24/10/2020
img
Foto:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/madeleine-lacsko

Uma viagem no tempo comparando as postagens que fazemos hoje às inscrições feitas em Pompéia, engolida pelo Vesúvio em 79 d.C. As redes sociais deram voz a uma legião de idiotas. Desde que o filósofo italiano Umberto Eco fez o raciocínio em 2015, ele virou uma verdade absoluta da internet, já que o idiota é sempre o outro. Quando recebia o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, o escritor fez um discurso sobre a sociedade do espetáculo. Começou com o idiota da aldeia, algo que sempre existiu. Com a TV, o idiota da aldeia já conseguiu um patamar superior e, na internet, "têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", defendeu. Na aldeia, a baderna do idiota era logo calada. Na internet, ele é mais ouvido que os demais. Evidente que, ao possibilitar contato imediato o tempo inteiro com pessoas em todos os cantos do planeta, a internet nos apresenta idiotas e formas de ser idiota que ainda não conhecíamos. Ocorre que também apresenta muita coisa que presta. O problema está no idiota, na possibilidade do idiota falar, no tipo de coisa que o idiota fala ou na aldeia? As redes sociais encorajam anônimos a despejar publicamente toda sua frustração, insegurança, inveja e recalque em forma de discurso violento e maldoso. Será? Recentemente, arqueólogos começaram a coletar frases pichadas em 79 d.C. por toda Pompeia, além do lupanar. Será que as redes sociais mudaram o que dizemos ou o que escolhemos ouvir e reverberar? Após anos de estudo e dedicação, fico sabendo que as campanhas políticas na época de Cristo falavam exatamente as mesmas coisas que falamos hoje. A diferença está no impacto, distribuição e reação ao conteúdo. Todos os jornalistas estão inseridos no mesmo contexto. Dessa forma, a percepção de mundo de boa parte da imprensa é construída a partir de informações selecionadas de acordo com o perfil individual. A própria imprensa passa a dar importância àquilo que é mais visível e causa mais indignação aos indivíduos que compõem uma redação. Ocorre que esses processos são artificiais e se atribui importância a fatos sem que se tenha acesso ao todo. 


Fonte: Madeleine Lacsko-Gazeta Povo