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O “fim” da Lava Jato e as semelhanças com o desmonte da operação Mãos Limpas na Itália

Por: Elite FM
Publicado em 13/10/2020
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Cinegrafista filma viatura da Polícia Federal: Lava Jato perdeu holofotes e passa por ataques Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo

A Lava Jato é a maior operação contra a corrupção havida no Brasil a ponto de a propina ficar institucionalizada pelo ex-presidente condenado em segunda instância e formar uma cadeia de corrupção entre  governos e empresas privadas, que em cartas marcadas, ganhavam todas as concorrências através da propina. A sociedade brasileira encampou a Lava Jato e chegou à conclusão que o maior problema do Brasil é a corrupção. Se um terço do Congresso está envolvido em atos ilícitos, fica evidente a intenção de menosprezar quem está ao seu encalço. Atualmente, estão em tramitação no Congresso uma série de propostas com potencial para dificultar a punição de casos de corrupção. Essas propostas, por exemplo, afrouxam a Lei de Improbidade Administrativa e a Lei de Lavagem de Dinheiro e diminuem a pena para o caixa dois eleitoral,como se não fosse dinheiro desviado. Houve até abolição de prisão em segunda instância, inédita no mundo. Chama a atenção o fato de aliados de Bolsonaro estarem à frente de algumas dessas propostas. Demonstração clara de que quem está com o rabo preso, quer denegrir a Lava Jato. Apesar disso, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que o Brasil ainda não repetiu a Itália nesse ponto – o que representa uma esperança na luta anticorrupção. “Até agora não existiram ainda grandes mudanças na lei que esvaziaram as punições, como aconteceu na Itália. Lá, por exemplo, se descriminalizaram algumas condutas e mudaram regras de prescrição”, disse Deltan. O STF é outro poder onde as investidas contra a Lava Jato ocorrem já há alguns anos. O Supremo está dividido entre ministros "lavajatistas" e "anti-lavajatistas". E a balança pode estar pendendo ainda mais para o lado anti-Lava Jato por escolha de Bolsonaro. Indicado pelo presidente para uma vaga no STF, o desembargador Kassio Nunes Marques é visto como um "juiz garantista". O termo define o magistrado que defende as garantias individuais acima de tudo em suas decisões, mas sempre atento no que consta nos  processos. Kassio Nunes Marques afirmou que "ninguém é contra o combate à corrupção", mas que é preciso "aparar" os excessos de operações como a Lava Jato. É bom lembrar também que os ladrões de dinheiro público,estes sim cometeram excessos na roubalheira e os”  garantistas” segundo a lei, devem decidir pela condenação. A declaração  de Bolsonaro, que propagou o fim de Lava Jato prende-se ao fato de que no seu governo não existe corrupção e não se enquadra neste esquema. Para a sociedade a Lava Jato só pode acabar quando for devolvido todo o dinheiro roubado e seus autores cumprindo as penas da lei. 


Fonte: Gazeta do Povo e Elite Fm