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O que dizem as pesquisas científicas sobre a volta às aulas

Por: Elite FM
Publicado em 22/09/2020
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Foto: Geraldo Bubniak/AEN/Gazeta doPovo

Um dos temas mais controversos do momento é se escolas devem voltar às aulas presenciais. Como em outras questões da pandemia da Covid-19, não existem pesquisas consolidadas e irrefutáveis sobre quais seriam os riscos reais da convivência escolar para alunos, professores e suas famílias. O que se sabe com certeza é que a paralisação das atividades escolares é especialmente danosa para as crianças durante o processo de alfabetização, a partir dos 5 anos, a “fase de ouro” de desenvolvimento do cérebro, que não volta mais. Então, será que os perigos assumidos com o retorno das aulas são maiores do que as perdas de aprendizagem? Na falta de certezas, qual seria o bom senso? Em artigo publicado em agosto na revista Pediatrics, da American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria), os médicos Benjamin Lee e William V. Raszka, da Universidade de Vermont (EUA), após uma revisão bibliográfica de estudos científicos realizados em diferentes países a respeito do retorno às aulas, concluíram que as crianças 1) não são transmissoras significativas da Covid-19 e que 2) é possível reduzir drasticamente, com cuidados, a possibilidade de contágio no meio escolar.O principal estudo apresentado pelos americanos é "COVID-19 in Children and the Dynamics of Infection in Families", também publicado na Pediatrics, coordenado pela pediatra Klara M. Posfay-Barbe, da Universidade de Genebra. Após rastrear o início da doença em 39 crianças infectadas com coronavírus, a pesquisa mostrou que apenas três delas poderiam (situação não confirmada) ter contraído a doença na escola - o restante teria sido contagiada em casa. Em um terceiro levantamento analisado, feito em Nova Gales do Sul, na Austrália, nove alunos e nove funcionários infectados com a Covid-19 em 15 escolas tiveram contato próximo com 735 alunos e 128 funcionários. Mesmo assim, apenas duas infecções foram identificadas, ambas transmitidas por adultos, não por crianças. O Instituto Pasteur da França aponta que alunos entre 6 e 11 anos de idade são menos contagiosos do que alunos adolescentes", escreveram os autores do estudo. Um grupo chinês, em artigo publicado no meDrxiv, após a análise de 40 infecções infantis na China, Cingapura, Coreia do Sul, Japão e Irã inferiu que as crianças não desempenham um papel importante na transmissão dentro de casa. Mas a opinião de todas essas pesquisas convive com outros estudos que recomendam mais cautela sobre a volta às aulas. As crianças têm maior probabilidade de ter uma infecção leve ou assintomática. A experiência de vários países onde as escolas foram reabertas com sucesso   deixa a sociedade otimista quanto às grandes chances de sucesso aqui no Brasil, somadas à indiscutível necessidade de darmos mais atenção à educação neste momento da pandemia.


Fonte: Gazeta do Povo