Como os professores sequestraram o Brasil e prenderam o país à algema do sentimentalismo - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Como os professores sequestraram o Brasil e prenderam o país à algema do sentimentalismo

Por: Elite FM
Publicado em 18/09/2020
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Cena do filme The Wall: há professores, indivíduos, bons. E eles são muitos. Unida em sindicatos, contudo, a classe fez o país refém de uma autoimagem sentimental e falsa.| Foto: Divulgação/Gazeta do Povo

“Eu, você, todo mundo teve professores bons, às vezes até muito bons, inspiradores e tal. E outros francamente ruins, deploráveis, quando não medíocres. Professores são indivíduos, cada qual com suas idiossincrasias, talentos, histórias de superação, frustrações, tragédias pessoais, anseios. Seres complexos. Quando se juntam numa corporação, contudo, eles perdem essa individualidade (uma individualidade que muitas vezes lhes é autoritariamente tirada) para se transformar em “classe”. Este é um texto sobre os professores enquanto classe, não enquanto indivíduos. Até porque, em se tratando de professores, está mais do que claro que os bons também se tornaram reféns do Espírito de Corpo. E a classe, qualquer uma (até mesmo a dos jornalistas), é sempre um ser amorfo, mais imoral do que amoral, um filhotinho de Leviatã. No caso dos professores, esse filhotinho de Leviatã virou um corvo de estimação que há muito se diverte furando os olhos da sociedade, fruto de um sentimentalismo que nos impede de vê-los como indivíduos complexos que são e que os transforma em abnegados sacerdotes da Educação – a deusa não do conhecimento, e sim dos diplomas. Foi a partir da ideia questionável de que “o magistério é vocação e sacrifício” e de que o Pisa, Ideb e outros indicadores criados por burocratas vão nos levar ao Paraíso que nos tornamos reféns dos professores enquanto classe. Afinal, quem tem coragem de dizer negar algo à "profissão que forma todas as outras profissões"? Unidos em sindicatos liderados por comunistas, uns mais e outros menos declarados, eles conseguiram até mesmo que pagássemos um belo resgate de 10% do PIB em investimentos na Educação até 2024. Em troca, garantem que seremos não pessoas melhores, e sim cidadãos melhores. Se a pandemia de Covid-19 serviu para outra coisa além de dar vazão ao fascismo sanitário foi para mostrar, a quem tem olhos de ver, que os professores não são nada santos. Não são seres puros, desprovidos de autointeresse e que precisam ser valorizados e exaltados a qualquer preço. São até um tantinho desnecessários. Prova disso é a relutância deles em voltar a dar aulas. A desculpa de que os professores não querem voltar a dar aulas porque temem o coronavírus tampouco faz sentido. Afinal, se fossem coerentes e realmente rezassem pela cartilha da “ciência, ciência, ciência” da Organização Mundial da Saúde, os professores saberiam que até os burocratas do Unicef temem os prejuízos causados pela ausência das crianças nas escolas. Se a Educação fosse mesmo o objetivo maior da classe, a Salvação que os professores prometem à sociedade, jurando com a mão esquerda sobre um exemplar puído de “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, eles estariam se manifestando pela reabertura das instituições de ensino, e não o contrário. 


Fonte: Paulo Polzonoff Jr. - jornalista, tradutor e escritor-Gazeta do |Povo