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Uma população cansada

Por: Elite FM
Publicado em 16/09/2020
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Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, durante o feriadão da Independência.| Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Gazeta do Povo

“Ninguém aguenta mais.” As palavras da secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak no fim de julho, servem praticamente para o país todo, a julgar por cenas como as do feriado prolongado da Independência e do fim de semana anterior, com praias lotadas no Rio de Janeiro e no litoral paulista. Esse cansaço era mais que esperado. Entre os efeitos das restrições estão confusão, raiva, ansiedade e até mesmo estresse pós-traumático; além dos medos mais esperados quando se trata desse tipo de doença, como o temor de ser infectado ou de ter perdas financeiras, outro dos fatores que mais gerava ansiedade nas populações estudadas era a falta de informação a respeito de quanto tempo duraria a quarentena. O “fique em casa até haver vacina” é impraticável, tanto do ponto de vista da saúde mental da população quanto dos negócios e empregos perdidos. Não surpreende, portanto, que a adesão ao “fique em casa” comece a decrescer à medida que as restrições vão se prolongando, e cidades e estados vivem um “efeito sanfona” em que negócios abrem e fecham. Não se tratava exatamente de reduzir o número total de infectados, mas de “espalhá-los” por um período maior de tempo. O fato é que o “fique em casa até haver vacina” é impraticável, tanto do ponto de vista da saúde mental da população (afinal, ninguém sabe quando haverá vacina) quanto dos negócios e empregos perdidos. Juntos, gestores, setor produtivo e sociedade, guiados por aquela mesma prudência de que falamos antes, podem encontrar um meio termo entre o “fique em casa” e a “vida como era antes”: retomar o que for possível em termos de atividades econômicas e possibilidades de lazer, manter as regras de higiene e distanciamento, seguir equipando a rede hospitalar e testando a população. 


Fonte: Gazeta do Povo