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Reforma Administrativa: é preciso coragem: Defender a maioria silenciosa, e não grupos de interesse, deve ser o dever de todo político

Por: Elite FM
Publicado em 11/09/2020
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Esplanada dos Ministérios Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil

Com praticamente um ano de atraso, a Reforma Administrativa chega ao Congresso Nacional. E apesar do momento econômico em que vivemos exigir mudanças urgentes, a demora em si não é o maior problema. Afinal, aguardamos ao longo de décadas por um grande projeto de reforma que corrija as grandes distorções na estrutura do Estado brasileiro, inchado, caro, ineficiente, recheado de privilégios e incentivos errados. O maior problema é que nada, absolutamente nada, justifica a demora além do medo da impopularidade. Uma agenda reformista gera desgastes. Ponto. O líder de uma nação como a nossa, historicamente patrimonialista, capturada por grupos de interesse, sindicatos e grandes corporações, precisa estar convencido disso caso queira deixar um legado significativo para as próximas gerações. É o mesmo roteiro da Reforma da Previdência, pela qual Bolsonaro fez pouco esforço e chegou até a pedir desculpas. Mas com um agravante: a Reforma Administrativa, apesar de ir na direção certa, não traz espaço para desidratação. Muito pelo contrário, sobrou para o Congresso o ônus de aumentar o rigor do texto, colocar o dedo na ferida, e incluir também os atuais servidores na maior parte das mudanças, além dos membros dos outros Poderes. A questão é saber se o Congresso estará disposto a isso. Em ano de eleições municipais e em meio a articulações para a presidência da Câmara e do Senado, o cenário agora é muito diferente daquele vivido durante a Reforma da Previdência, e o ambiente para o corporativismo é bastante fértil. Abre-se um espaço gigantesco para uma pressão que vai vir de todos os lados, de todas as classes possíveis de servidores, além daquelas que são, por óbvio, carreiras de Estado. Sindicatos de médicos e professores, que trazem essa demanda há tempos, já se mobilizam junto aos seus parlamentares. O protagonismo de uma das mais importantes reformas do Estado brasileiro recairá sobre as lideranças do Congresso. “Os gestores públicos deixaram que o Estado ficasse um monstro com as mais diversas pandemias de interesses pessoais, um estado submisso ao funcionalismo disforme e a reforma administrativa atinge também o Congresso que gasta R$ 30 milhões por dia e seus componentes não querem cortar na própria carne para dar exemplo. Na hora que as discussões entrarem em cena a gritaria poderá sufocar o país”. 


Fonte: Eduardo Ribeiro-empresário catarinense e Elite FM