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A “demissão” da Lava Jato de SP é o retrato de um país conformado com privilégios

Por: Elite FM
Publicado em 06/09/2020
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Imagem:/www.gazetadopovo.com.br/vozes/madeleine-lacsko

Quando o cidadão comum se demite por uma causa, ele não mantém o cargo, salário, estabilidade e aposentadoria integral. Procuradores comunicam à PGR desligamento coletivo da Lava Jato paulista". Era isso!!! Não houve demissão e, o uso dessa palavra é o retrato perfeito de como o Brasil internalizou o conceito de privilégio.Quando o cidadão comum se demite em nome de uma causa, ele arrisca o conforto da sua família, a segurança financeira e o futuro profissional. No caso dos procuradores paulistas, não há nenhum tipo de risco pessoal, eles apenas saem da Força Tarefa e continuam suas carreiras com todos os privilégios. Estranho é o jornalista, que não goza da mesma estabilidade, levar essa conversa adiante dando a entender que os procuradores assumiram riscos pessoais como outros cidadãos. Não assumiram. As carreiras jurídicas têm salários nababescos e estabilidade justamente para que seus integrantes possam lutar em nome do povo diante de arbitrariedades do governo de plantão. Se, ao ver uma dificuldade, abandonam o barco, por que estamos pagando essa fortuna toda? As carreiras jurídicas públicas se desenvolvem num ritmo diferente das privadas.Obviamente, a grande maioria dos advogados vai eternamente ganhar muito menos do que o salário inicial das carreiras jurídicas. Se houve um "desmonte da Lava Jato", é a prova maior de que precisamos urgentemente rever o modelo das carreiras jurídicas no Brasil. Na Constituição de 88, optou-se por um modelo que imaginávamos funcionar, o de que garantir o conforto financeiro, férias generosas, aprimoramento profissional e entender problemas familiares seria o suficiente para arregimentar um batalhão de ferozes defensores da cidadania brasileira. Não funcionou. 

 


Fonte: Madeleine Lacsko-jornalista e consultora internacional-Gazeta do Povo