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Não é só a saída de Deltan: Lava Jato entra em contagem regressiva por sobrevivência

Por: Elite FM
Publicado em 04/09/2020
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Deltan Dallagnol deixa entrevista coletiva da Lava Jato em 2017: força-tarefa do MPF corre o risco de não ser renovada. Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

A saída do procurador Deltan Dallagnol da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, como ele próprio destacou num vídeo em que explica sua decisão, não representa o fim da operação. Outros 13 procuradores seguem no trabalho e um novo coordenador das investigações já foi escolhido. Mas tudo isso pode durar pouco mais de uma semana. O procurador-geral da República, Augusto Aras, tem de decidir até o próximo dia 10 de setembro se autoriza a prorrogação da força-tarefa de Curitiba ou se dissolve a operação. A autorização para o funcionamento da força-tarefa precisa ser renovada anualmente, e o trabalho do grupo já foi prorrogado cinco vezes desde 2014 – quando a Lava Jato começou. Nem mesmo a decisão liminar da subprocuradora Maria Caetana Cintra dos Santos, do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), que prorroga a força-tarefa de Curitiba por mais um ano, anunciada nesta terça-feira (1º), é garantia de que isso, de fato, irá ocorrer. A questão é que a decisão deste ano assumiu contornos críticos. A operação nunca esteve tão perto de acabar em meio a recentes ataques à Lava Jato, alguns deles feitos pelo próprio Aras. O procurador-geral já afirmou que é preciso corrigir os rumos da operação no MPF, para que o "lavajatismo não perdure". Nos bastidores especula-se que a saída de Deltan possa conter o ímpeto por acabar com a operação. Uma nova direção para a força-tarefa de Curitiba enfraquece um possível argumento de Aras de que a operação saiu do controle, pois agora podem ocorrer as mudanças defendidas por ele. Seria preciso, portanto, dar um tempo para o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira, que assume no lugar de Deltan. Um indicativo de que a tensão entre a PGR e a Lava Jato esfriou veio também nesta terça: o próprio Augusto Aras elogiou o trabalho de Deltan Dallagnol e afirmou que ele prestou "relevantes serviços". Caso Aras decida prorrogar mais uma vez o funcionamento da força-tarefa, caberá ao CSMPF decidir sobre a designação dos procuradores regionais para atuar no grupo.


Fonte: Gazeta do Povo