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Aristóteles e o leite de vaca

Por: Elite FM
Publicado em 25/08/2020
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Imagem:Internet/https://www.vivernatural.com.br/saude-natural/

  Xico Graziano, engenheiro agrônomo, doutor em Administração, professor de MBA na FGV e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) esclarece o mito de que o leite de vaca faz mal ao ser humano. ”Será verdade que o leite de vaca é um alimento nocivo, conforme apregoado por alguns médicos na internet? Ou será mais um mito construído contra o agro? A resposta vem de Aristóteles, o grande filósofo grego. A lógica aristotélica ajuda o raciocínio humano a se aproximar da verdade, quer dizer, aos fatos. Divergindo do idealista Platão, seu mestre, Aristóteles valorizava o conhecimento prático, empírico, na busca do entendimento do mundo. Voltemos ao leite. Se fosse verdade que o leite de vaca é um alimento prejudicial à saúde das pessoas, ele não faria parte da nutrição humana durante milênios. Se o leite causasse mal, seus derivados como queijo, manteiga e coalhada não comporiam a culinária de povos variados espalhados pelo mundo. Simples assim. Não tem lógica condenar o leite de vaca como alimento humano. Nem é lógico, nem se embasa no conhecimento empírico, ou seja, na realidade. Trata-se, portanto, de uma cilada do raciocínio. Basta percorrer a civilização ocidental. Se o leite fosse do mal, os europeus estariam todos doentes. Há séculos. A base da falácia contra o leite reside no fato, este sim concreto, de que parte da população humana apresenta intolerância à lactose ou, ainda, reação alérgica às proteínas lácteas. Entenda a diferença entre os dois problemas de saúde. A lactose é um tipo de açúcar próprio do leite. Ao ser ingerida pelo ser humano, precisa ser digerida pela ação de uma enzima chamada lactase. Ocorre que muitas pessoas apresentam deficiência de produção de lactase no organismo, o que resulta em má digestibilidade – intolerância – do leite. A alergia, por sua vez, se caracteriza por reações às proteínas presentes no leite, como a caseína, a alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina. Por isso ela é conhecida como “alergia à proteína ao leite de vaca” (APLV), provocando cólicas, gases, refluxo, entre outros sintomas. Resumindo: o fato de algumas pessoas serem alérgicas, ou intolerantes, aos produtos lácteos levou ao surgimento de mitos, explorados por médicos, charlatões e incautos. Uns defendem seus interesses particulares. Outros exibem ignorância. Lembrem-se que o temor do colesterol permitiu que a gema do ovo fosse condenada ao extremo pelo risco de enfarte cardíaco. Um mito já desmentido na medicina. Da mesma forma foi condenada a banha de porco para a indústria empurrar óleos de soja e similares. O mesmo aconteceu com a manteiga que entupia as veias para dar lugar “ao plástico” chamado margarina, tão maléfica que nenhum inseto ataca. O marketing empresarial se mistura aos mitos, normalmente incutidos por segundas intenções.” 


Fonte: camila.lopes@alfapress.com.br- Alfapress Comunicações