Estupro e aborto: como uma boa educação sexual poderia ajudar a prevenir o abuso de crianças - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Estupro e aborto: como uma boa educação sexual poderia ajudar a prevenir o abuso de crianças

Por: Elite FM
Publicado em 23/08/2020
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Imagem ilustrativa-Foto: Unsplash/Gazeta do Povo

É preciso mudar na base, nas grades curriculares de pedagogia, de psicologia.A maioria dos professores não têm capacitação para abordar o tema nas escolas. Educação sexual na escola seria um caminho - muito menos doloroso, mas passou despercebido no debate fervoroso e polarizado a respeito da criança de 10 anos vítima de estupro desde os 6 e que, no último domingo, abortou um bebê de 5 meses. Uma educação sexual escolar que respeite o desenvolvimento físico, psicológico, afetivo, cognitivo e, sobretudo, sexual de uma criança, oferece ferramentas e caminhos para diagnosticar possíveis abusos ou, através de denúncia, interrompê-los. No caso da menina de 10 anos, foi "tarde demais". É importante ter em conta, em um primeiro momento, que o termo "educação sexual" tem sido, muitas vezes, equivocadamente interpretado. Há pessoas que costumam associar à terminologia, rapidamente, imagens de professores ensinando alunos do ensino fundamental a colocar camisinhas em órgãos sexuais ou, por exemplo, aulas sobre "como fazer sexo". Embora (e infelizmente) exemplos como esses tenham realmente ocorrido, não é disso que se trata a verdadeira educação sexual. É preciso saber o que é, de fato, educação sexual. Muitas famílias são resistentes ao tema ser tratado em escolas porque, muitas vezes, não sabem do que se trata", afirma a psicóloga especialista em educação sexual Leiliane Rocha, que estuda o tema há mais de 15 anos. "Além disso, a grande maioria dos professores não tem capacitação para abordar o tema nas escolas. Falta um debate sério, centrado". Especialistas concordam, de modo geral, que o tema deve começar a ser abordado em casa, da maneira como parecer conveniente aos pais e de acordo com valores familiares. Os dados, contudo, apontam para uma conjuntura preocupante. Mapeamento de 2019 do Ministério da Mulher aponta que pelos menos 40% dos crimes de violência sexual infantil no país foram cometidos por pais ou padrastos. Ainda, 14% dos crimes dessa natureza foram cometidos pelas mães das vítimas, 9% pelos tios, 7% por vizinhos e os outros 30% dos casos são de responsabilidade de "outros". Pelo menos 73% dos crimes de violência sexual infantil aconteceram na casa da própria vítima, e as autoridades estimam que apenas 10% dos crimes são denunciados. A escola também é responsável pela humanidade das crianças, não apenas pela parte intelectual, pois a escola é o ambiente onde os filhos mais manifestam sua sexualidade. 

 


Fonte: Isabelle Barone-Gazeta do Povo