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“O que um diploma que recebi revela sobre a farsa educacional no Brasil”

Por: Elite FM
Publicado em 20/08/2020
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Lá estava eu no entediante, mas necessário, processo semanal de apagar e-mails. E, no meio disso tudo, um diploma legitimamente concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, no qual me inscrevi, mais não participei. Mesmo assim recebi o diploma como cumpridor das 40 horas, o que deve ter sido feito por um burocrata do MEC, (o que é comum). O problema, aqui, é de outra ordem, predominantemente simbólica. Educação é hoje uma palavra esquizofrênica, dessas que perdeu o contato com seu sentido original e que significa tudo, qualquer coisa e absolutamente nada. As pessoas se arvoram todas para se dizerem “portadoras de educação superior”, quando no máximo são “portadoras de instrução formal superior”. Educação, no sentido de uma busca insaciável pelo conhecimento e sabedoria, independe da instrução formal. Independe de diplomas. Independe até da presença de um professor ou mestre. A instrução formal, por sua vez, é isso o que a gente tem aí: uma espécie de Detran criado para atestar que você é capaz de erguer um prédio, operar um doente, corrigir uma injustiça, plantar hectares e mais hectares de soja e escrever uma redação com relativa segurança. Na verdade, a educação, hoje, não passa de um cursinho sindical de luxo. Você frequenta as aulas de medicina, direito, engenharia, letras e até jornalismo não para aprender esses ofícios todos muito nobres, muito menos para descobrir qual seu lugar no mundo. Você cursa uma universidade para, dali a 4 ou 5 anos, obter a permissão de ingressar numa espécie de guilda esclarecida e assim, com o máximo de sorte e mínimo de esforço, garantir o próprio sustento. Daí porque temos, por exemplo, juízes da Suprema Corte com dezenas de diplomas, milhares de horas-aula, sólido conhecimento jurídico – e ainda assim muitas vezes incapazes de perceber uma injustiça clara diante dos olhos. O diploma que recebi mostra que a instrução formal e tudo o que o cerca, não passa de uma engrenagem burocrática enferrujada, um motor de Opalão consumidor de recursos escassos e, hoje mais do que nunca, uma prensa revolucionária a forjar militantes descerebrados. E, por mais estranha que possa parecer a frase e a conclusão, é a educação, e não a instrução formal, o que um dia, talvez, quem sabe, tomara, tornará o Brasil um país mais habitável e sobretudo menos hostil. 


Fonte: Paulo Polzonoff Jr.Gazeta do Povo/Jornalista/Tradutor e Escritor