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Comportamento da PGR parece denotar certa leviandade em relação à Lava Jato, operação reconhecida internacionalmente contra a corrupção

Por: Elite FM
Publicado em 07/08/2020
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Deltan Dallagnol - Procurador do Ministério Público Federal e Coordenador da força tarefa da operação Lava Jato - Foto: Marcelo Carvalho/Agência Brasil

Afinal, há que se perguntar se, diante de tamanho volume de dados coletados pela Lava jato,  o Procurador Geral da República), Augusto Aras  e sua equipe já teriam tido tempo de se debruçar sobre as informações ao ponto de falar com propriedade ao seu respeito. Sem nem ter ainda a posse de material acumulado ao longo de seis anos, já se pode falar com propriedade de “caixa de segredos”, “chantagem” e “extorsão”? O tom exaltado e a falta de conteúdo real nas afirmações proferidas pela autoridade mais alta do MPF confirmam mais uma indisposição prévia do que uma avaliação responsável de eventuais problemas nas investigações. Para quem não quer, qualquer desculpa serve. Afinal, já é amplamente conhecida a defesa de Aras e sua equipe sobre a centralização das investigações de corrupção debaixo da alçada de uma Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac).Essa proposta tem se centrado na tese esdrúxula apresentada pelo PGR já antes de sua posse de que faltaria experiência e “cabeças brancas” na força-tarefa de Curitiba, o que teria suscitado “abusos”, que poderiam ter sido evitados pela presença de procuradores mais experientes. Desde então, a opinião pública permanece questionando: que abusos foram esses, que não foram objeto de condenação de qualquer instância do Judiciário? Eventuais problemas ocorridos durante as investigações não se deveram à falta de experiência, mas à complexidade dos problemas envolvidos. A Lava Jato lidou não só com situações inusitadas, mas também com dispositivos muito recentes no nosso ordenamento jurídico, como é o caso das delações premiadas. Nada impede que regulamentações e mecanismos de freios e contrapesos para seu uso sejam pensados a posteriori. Não se pode esquecer, porém, da seriedade com que o tema sempre foi tratado pelas autoridades envolvidas. Na verdade, o acúmulo de aprendizado institucional até aqui desperta na opinião pública a sensação de que Deltan Dallagnol e os demais procuradores, policiais e juízes envolvidos na investigação tem mais a ensinar às instâncias superiores da PGR do que o contrário. 


Fonte: Gazeta do Povo