Quem é a (verdadeira) Nova Esquerda ? Quem são os novos agentes que pretendem ocupar o espaço de dinossauros como um ex-presidente condenado e o PT? - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Quem é a (verdadeira) Nova Esquerda ? Quem são os novos agentes que pretendem ocupar o espaço de dinossauros como um ex-presidente condenado e o PT?

Por: Elite FM
Publicado em 02/08/2020
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Não é de hoje a agonia da esquerda brasileira, animal desajeitado perdendo função na fauna política. A aparição do rapper Emicida, no Roda Viva, foi sintomática-Foto:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-santos

A aparição do rapper Emicida, no Roda Viva, foi sintomática. O artista é mais um na série de comunicadores e influenciadores de esquerda a ocupar o eixo da tradicional roda de debates da TV Cultura. É, por ora, uma ocupação ideológica; Emicida, assim como Silvio Almeida, Felipe Neto e Tabata Amaral, se propõe — gostemos ou não — a serem intelectuais públicos de uma esquerda em reconstrução.É um alento para o setor. Não é de hoje a agonia da esquerda brasileira. Construída sob bases arcaicas, é animal desajeitado perdendo função na fauna política. O brizolismo pedetista, o centralismo democrático do PCdoB, o socialismo do PT — todos! — são incapazes de propor um caminho para além dos chavões desgastados e fórmulas do século passado. Sindicalismo, confronto entre capital e trabalho, estética antiquada, negação da economia de mercado... poderíamos discorrer por horas sobre as falhas estruturais no campo progressista. A insistência nos métodos que os alçaram o poder — e que agora os condena — é não apenas fé cega em sua tese: é também questão geracional. A velha esquerda brasileira é filha da luta contra a ditadura e dos movimentos de contra-cultura surgidos nos anos 60. É natural que seu referencial esteja centrado neste período histórico, sorte de ponto inaugural de uma história brasileira muito particular que narraram em verso e prosa. Não esperam desta turma — que chegou ao poder e lá se lambuzou — um abandono de sua linguagem e utopias. É perda de tempo. Num fenômeno que encontra eco em outros campos da vida humana, a geração baby-boomer,a mesma desta esquerda que descrevi, tem dificuldades em entregar o bastão para seus sucessores. No Brasil, terra de vacas sagradas, o fenômeno é ainda mais presente. Caetano, Chico e os seus ainda dão as cartas na cultura popular — intocáveis —, e funcionam como validadores de quem pode ou não ascender ao olimpo cultural brasileiro. Não haveria de ser diferente na política. A esquerda perdeu vitalidade ao optar pela fé bovina na liderança de um” presidiário. Mesmo o PSOL, que ensaia um crescimento junto ao público mais jovem, vive de pagar pedágio ao irmão mais velho. Tal massa de influenciadores e artistas atuando de forma articulada, com discurso mais “redondo”, precipita uma mudança de ares num jogo outrora viciado. Havia a esquerda tradicional, arcaica e corrupta, a apanhar de todos os lados; a direita, tal qual invasão bárbara, a ocupar espaço na marra; e a imprensa, desconfortável com ambos, procurando uma turma pra se encontrar. “Como a política depende da educação, o Brasil vai demorar para sair desse ostracismo mental para entender que  a política brasileira está tão desregrada que há muitos anos mantém partidos e políticos como as duas classes mais desacretitadas. Uma nova esquerda e uma nova direita precisa da consciência coletiva  da mudança, pois ”andorinha só, não fáz verão”.


Fonte: Renan Santos e Elite FM-Gazeta do Povo