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O que fazer com o MEC

Por: Elite FM
Publicado em 14/07/2020
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A sede do Ministério da Educação, em Brasília-Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Gazeta do Povo

Afinal, convenhamos, a função de Ministro da Educação num país como o nosso é uma missão quase impossível. Em 500 anos ainda há no Brasil mais de 70% de analfabetos funcionais, alunos que estudam 11 anos e não saber ler, interpretar e escrever um parágrafo com  logicidade e  ruins em matemática. Um dos melhores diagnósticos que já vi da educação brasileira foi escrito por um professor americano que lecionou aqui por um ou dois anos no Brasil. Ou seja, antes mesmo de Paulo Freire dar o toque final ao fazer da doutrinação política o centro do que passa por educação por aqui. O cerne da crítica do professor é que os alunos decoravam tudo, todas as definições, mas eram completamente incapazes de usá-las na vida real, no mundo físico que, teoricamente, todas aquelas equações descreviam. Em outras palavras, o processo de aprendizagem era total e completamente desligado do seu fim, que é a aprendizagem das coisas como reais e como adequadas e empregáveis no trato da realidade física. Os únicos alunos que se mostraram capazes de usar na prática o aprendido, descobriu ele, eram um rapaz que estudara no exterior e outro que, por ausência dos professores durante a Segunda Guerra, estudara por conta própria. E até hoje isso continua, piorado. A crítica paulofreiriana à educação “conteudista” e “bancária”, em que o professor “depositaria” o conteúdo na cabecinha do aluno para “sacá-lo” na prova, fez com que até mesmo a decoreba inútil e descolada da realidade que perfazia até então o processo educacional tupiniquim fosse substituída por uma vaga noção de como usar fórmulas apresentadas pelo professor, sem todavia ainda aplicá-las à realidade. O miolo do problema continua intocado, e o MEC só trata dos processos: quem pode dar aulas, quanto tempo elas devem durar, quantas deve haver por semana e por ano, o que deve ser abordado nelas, e por aí vai. 


Fonte: Carlos Ramalhete-Gazeta do Povo