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Uma tentativa sincera de compreender como pensam nossos governantes

Por: Elite FM
Publicado em 13/07/2020
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Depois de esbravejar para as nuvens, me ponho a tentar entender a lógica supostamente virtuosa por trás de medidas estúpidas contra o coronavírus.- Foto: Reprodução/ Twitter/Gazeta do Povo

A raiva nasce de uma sensação de impotência. É quando a gente olha para um lado e para outro tentando encontrar uma saída, não consegue e se vê tomado por um desejo irracional de abrir caminho à força. Daí saímos xingando, colocando carinha de ódio nas redes sociais, subindo hashtags indignadas, esbravejando contra as nuvens. Depois de três meses de medidas restritivas de todos os tipos, o governador do Paraná, Ratinho Jr., anunciou o lockdown no estado. Prevendo a reação negativa, vossas excelências, os marqueteiros, ainda se saíram com um eufemismo – quarentena restritiva – para amenizar o impacto das decisões tomadas no conforto dos palácios. Naquele dia, me senti como um camundongo – pisoteado pela bota pesada do Estado. Um escravo – de cabeça baixa prestando humildemente obediência à mão que me açoita sem qualquer misericórdia. Um servo – obrigado a sustentar o senhor feudal à custa da minha própria fome. Um prisioneiro – impedido de tomar as decisões mais simples do cotidiano sem a anuência de um carcereiro invisível e prepotente. Mas aí dormi a melhor noite de sono possível e me pus a tentar entender o que se passa na cabeça de nossos governantes. A imaginar qual a lógica supostamente virtuosa por trás de medidas escancaradamente estúpidas como proibir o funcionamento dos supermercados aos domingos ou a circulação de pessoas entre 22h e 5h. E por “governantes” não me refiro aqui apenas à pessoa que ocupa o cargo máximo do Executivo. Estou pensando em todos os burocratas e tecnocratas envolvidos no cerceamento desta que é a liberdade mais básica de todas: a do ser humano trabalhar e ganhar seu sustento. É muito fácil recorrer apenas à raiva. O que pedem? Mas ficar restrito à raiva e ao medo significaria também ignorar a fascinante complexidade que é o ser humano, suas decisões dúbias e seus sistemas de governo extremamente falhos. Por decisão do próprio governador, infelizmente não posso me sentar com ele e seus assessores para, diante de uma bela porção de frango a passarinho e alguns copos de cerveja, descobrir o que se passa em suas cabeças. Uma pena. Porque realmente gostaria de ver confirmada minha tese de que não há (ao contrário do que diz minha raiva) má-fé nessas medidas inúteis antipandemia. Queria poder dizer com toda a certeza do mundo que nossos governantes estão fazendo o “seu melhor” – embora o melhor deles, neste caso, se resuma a um monte de medidas tomadas a esmo, mais por instinto do que por razão. Enquanto isso a nós, os camundongos, os escravos, os servos e os prisioneiros, resta a resignação dos versos de Manuel Bandeira, da quarentena eficaz que podia ter sido e não foi e do último tango argentino, que será ouvido e chorado, mas não dançado. Porque o senhor governador, os burocratas do MP e um ou outro cientista enfastiado com a própria perspicácia não deixam. 


Fonte: Paulo Polzonoff Jr-Gazeta do Povo