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Com mais de um milhão de infectados, Brasil está perto da “imunidade de rebanho”?

Por: Elite FM
Publicado em 02/07/2020
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Pessoas andando pelas ruas de comércio popular em São Paulo após a reabertura- Foto: Nelson Almeida / AFP/Gazeta do Povo

No fim de abril, quando o Brasil registrava perto de 60 mil casos e pouco mais de 4 mil mortes por Covid-19, o deputado federal Osmar Terra  – médico, ex-ministro da Cidadania defendia a chamada imunidade de rebanho como estratégia contra a pandemia, em detrimento de medidas como o isolamento social. Dois meses depois, quando o país supera um milhão de infectados e perto de 60 mil mortos, a distância para uma possível imunidade coletiva ainda é longa, apontam pesquisas e análise de médicos. Nas avaliações mais otimistas, dificilmente se atingiria esse estado antes do fim do ano. A imunidade coletiva ou de rebanho ocorre quando um determinado número de pessoas dentro de uma comunidade já foi infectado e desenvolveu anticorpos (proteínas de defesa) para determinada doença. Com isso, a taxa de transmissão cai acentuadamente, evitando que se tenha uma epidemia. Essa porcentagem de infecções, no entanto, ainda é uma incógnita para a Covid-19, que é uma doença nova e da qual se conhece pouco. Um estudo publicado pela revista Science na última semana indica que talvez ela possa ser alcançada antes do que a maioria dos especialistas projetava no início da pandemia. Matemáticos de duas universidades europeias – Universidade de Nottingham, da Inglaterra, e de Estocolmo, na Suécia – sustentam que se terá a imunidade coletiva ao Sars-Cov-2, vírus causador da Covid, quando 43% da população apresentar anticorpos. Em pesquisas anteriores, cientistas indicavam que o número mágico estaria entre 60% e 65% da população imunizada. No novo modelo matemático os pesquisadores consideram que a imunidade exige menos pessoas infectadas porque a infecção, no caso da Covid, é feita naturalmente – ao contrário de outras doenças, em que você imuniza uma população com as vacinas. Isso faz diferença no índice, indica o estudo. Apesar dessa nova perspectiva, ter 43% da população com anticorpos significaria, no Brasil, mais de 90 milhões de doentes. Um número muito distante dos atuais 1,3 milhão de infectados. Ainda que se considere a grande subnotificação no país – estima-se que o número real de pessoas que tenham contraído a Covid-19 seja entre seis e dez vezes superior ao oficial –, o país teria chegado a um décimo dos contágios necessários para imunizar toda a comunidade.

 


Fonte: Gazeta do Povo