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A frase mais imprudente e perigosa que alguém pode escrever hoje em dia

Por: Elite FM
Publicado em 29/06/2020
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O Estado brasileiro regulava esta que é uma das relações de caridade mais básica de todas: uma pessoa estendendo um prato de comida a outra em necessidade. Foto: Reprodução/Gazeta do povo

Atenção, porque estou prestes a escrever a frase mais imprudente e perigosa do nosso tempo. Antes é preciso dizer que muitas vezes é preciso de ressalvas e mais ressalvas para dizer o  óbvio. Acontece que o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei, de autoria do senador Fernando Collor, permitindo que restaurantes doem sobras de alimentos a pessoas carentes. E aqui vale, sim, um “oh” de espanto. Era proibido? Mais ou menos. A lei anterior era tal que responsabilizava o doador por qualquer dorzinha de barriga causada pelo alimento dado a quem passava necessidades. Sem querer correr riscos, portanto, os donos de restaurante preferiam jogar as sobras no lixo a doá-las. Sim, é inacreditável, mas o Estado brasileiro regulava esta que é uma das relações de caridade mais básica de todas: uma pessoa estendendo um prato de comida a outra em necessidade. A regulamentação ofendia, e muito, o bom senso. Porque ela partia do pressuposto macabro de que o dono de um restaurante, talvez por ser um patrão-capitalista-malvadão-de-cartola-na-cabeça, usaria as sobras de alimentos doadas aos mendigos para intoxicá-los deliberadamente. E eis que chego à frase imprudente & perigosa, o presidente Jair Bolsonaro agiu corretamente. Uau. Calma que agora até me assustei. Eu escrevi isso mesmo? E mais: tive a coragem de publicar? No atual ambiente de hostilidade, elogiar uma atitude cuja correção chega a ser ridícula, de tão óbvia, resvala na loucura, quando não na estupidez. Para quem odeia a pessoa que atualmente ocupa o Palácio do Planalto, tudo é um absurdo, inclusive os acertos dele. E todas as medidas já nascem contaminadas por uma espécie de mal intrínseco. Desumano, mesmo, era ver milhares de pessoas passando fome e restaurantes serem impedidos de doar alimentos   sobrados, mas em boas condições, indo para o lixo porque,na interpretação da lei, poderiam fazer mal a quem nada tinha para comer.


Fonte: Paulo Polzonoff Jr. jornalista, tradutor e escritor- Gazeta do Povo