Micro e pequenas empresas precisam de R$ 200 bi em socorro. Educação e alimentação sofrem mais - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Micro e pequenas empresas precisam de R$ 200 bi em socorro. Educação e alimentação sofrem mais

Por: Elite FM
Publicado em 25/06/2020
img
Micro e pequenas empresas da área da educação perderam 65% do faturamento. Situação é mais grave nas creches e pequenas universidades. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo


A pandemia do novo coronavírus escancarou um problema estrutural da economia brasileira: a dificuldade das empresas de acessarem linhas de crédito. A situação é particularmente grave para as de pequeno porte, que têm pouco capital de giro para manter o negócio funcionando. Estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), estima que as micro e pequenas empresas precisam de de R$ 200 bilhões adicionais para atravessarem a pandemia e mitigarem os efeitos sociais da crise. São 17,3 milhões de empreendimentos entre microempreendedores individuais (MEI), que faturam até R$ 81 mil ao ano; microempresas (ME), com faturamento até R$ 360 mil ao ano; e empresas de pequeno porte (EPP), que faturam até R$ 4,8 milhões ao ano. Juntas, as três categorias somam R$ 3,52 trilhões de faturamento anual. “A limitação da oferta de crédito faz com que, na maioria das vezes, recursos próprios sejam utilizados para investimento em capital fixo e, se houver sobra, utilizados para investimento em capital de giro”, alertam os pesquisadores Lauro Gonzalez, Bruno Barreira e Arthur Ridolfo, que assinam o relatório. Como as sobras são geralmente insuficientes, as vendas são cruciais para financiar o capital de giro, sobretudo pela antecipação de recebíveis, por exemplo, antecipando o recebimento de vendas no cartão de crédito. Mas com a queda abrupta na receita os empresários se veem obrigados a cortarem custos e funcionários, o que aumenta o desemprego.Com base nos dados de 2019 do Banco Central, os pesquisadores calculam que a demanda de crédito neste ano vai somar R$ 472 bilhões, mas que apenas R$ 270 bilhões serão concedidos. Uma diferença de 202 bilhões. A simulação traça também um cenário mais otimista, no qual a lacuna seria de "apenas" R$ 116 bilhões, e um mais pessimista, onde a diferença pode chegar a R$ 289 bilhões. De acordo com o assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingues, a dificuldade de liberar o crédito reside na própria estrutura do sistema financeiro, concentrado nas mãos de poucos grandes bancos que concedem empréstimos só para quem tem capacidade de oferecer garantias. A pandemia só potencializou a má distribuição dos financiamentos.“As micro e pequenas empresas são as que menos têm acesso ao crédito. Elas se financiam por meio do cheque especial, que é uma jabuticaba brasileira, depois por meio dos fornecedores, depois por empréstimo familiar e só lá no final por empréstimo bancário”, explicou o integrante da equipe econômica. Segundo o estudo da FGV, o setor mais impactado pela crise da Covid-19 é o da educação. As empresas do ramo sofrem uma contração média de 65% no faturamento. Na sequência aparecem os segmentos da alimentação (-58%) e do comércio varejista (-55%).


Fonte: Gazeta do Povo