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Como a pandemia de Covid-19 se tornou o paraíso dos corruptos

Por: Elite FM
Publicado em 23/06/2020
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No Brasil e no mundo, corruptos “profissionais” e oportunistas têm usado as medidas de enfrentamento à pandemia como uma fonte de renda ilícita. Foto: Pixabay/Gazeta do Povo

Sete de maio. No dia em que o Brasil se aproximava da marca de dez mil mortos em decorrência do coronavírus, e a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendia Gabriell Neves, ex-subsecretário estadual de Saúde, e mais três pessoas acusadas por fraudes na compra de respiradores. São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais são mais alguns estados onde denúncias envolvendo o mau uso do dinheiro destinado à saúde. O TCU em 3 de junho divulgou relatório em que mais de 8 milhões de brasileiros teriam recebido indevidamente o auxílio emergencial de R$ 600. A corrupção não dá trégua nem em situações de calamidade. Não importa se para embolsar R$600 ou alguns milhões de reais. João Gabriel Modesto, professor da Universidade Estadual de Goiás, autor de pesquisas sobre corrupção, revela que certos tipos de personalidade são mais propensas a agir de maneira corrupta.“Pessoas com um perfil estrategista, maquiavélico, por exemplo, têm uma tendência maior à corrupção, mas é preciso considerar o contexto”, destaca. A corrupção é associada a um fator cultural baseado na ‘Lei de Gerson’, de que sempre que você puder ter vantagem, você deve ter. Você passa a acreditar que a maioria das pessoas agiria de forma corrupta, se tivesse a chance. Fatores do contexto interagem com características individuais, o que tende a deixar bem complexa a compreensão do fenômeno a partir da fraquíssima força da educação. Infelizmente, a corrupção prospera em tempos de crise, principalmente quando as instituições e a fiscalização são fracas e a confiança da população é baixa. Quando se observa que os maiores ladrões do Brasil estão soltos ou com processos eternamente postergados para acabar em nada, prova claramente que a Justiça, ao tardar, falha e mostra que o crime compensa. Para o professor João Gabriel Modesto, combater a corrupção não é tarefa fácil, mas uma das alternativas é justamente apostar em uma “vacina”, promovendo o pensamento ético desde cedo, com ações nas escolas. “Além da aposta nesta ‘vacina’, é preciso que o poder público, de fato, julgue e estabeleça as sanções previstas em lei para quem age de maneira corrupta. Isso pode reduzir a percepção que a corrupção compensa no Brasil e, consequentemente, reduzir a probabilidade das pessoas agirem de maneira corrupta”, ressalta. Existe o “corruptovírus, que permite a todos os brasileiros fazer denúncias de corrupção e a maioria dos brasileiros são honestos, mas precisam cumprir seu dever de denunciar quem rouba dinheiro público, classificados como os maiores e mais perversos assassinos da sociedade. 


Fonte: (Anderson Gonçalves-Gazeta doPovo