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A pesquisadora Ilona Becskehazy revela que a melhor educação do Brasil segue a política “feijão com arroz”

Por: Elite FM
Publicado em 14/06/2020

Feijão com arroz é uma expressão variante de outra mais dura, “ter vergonha na cara” e fazer o que um sistema de governo local deve fazer por sua população. Infelizmente, é um caso quase único, que foi levado ao nível do estado do Ceará, na cidade de Sobral. É uma receita que começou a ser desvendada nos anos 1970 e que ficou conhecida entre os formuladores de políticas públicas e acadêmicos (infelizmente pouco difundida no Brasil, pois sofreu oposição sistemática dos acadêmicos locais) como “escola eficaz”. Tem os seguintes ingredientes básicos: 1) objetivos de ensino absolutamente claros (no início, em Sobral, eram medidas de fluência leitora), 2) um sistema de monitoramento que permite feedback rápido para as escolas, professores e para a gestão municipal e 3) material didático unificado (pelo menos o básico, pois os professores podem, em conjunto com suas coordenações, complementar as sequências didáticas dos livros didáticos e as que são preparadas centralmente). A formação continuada é feita em cima dessas sequências didáticas. Prefeito e Secretário de Educação que, deliberadamente, montaram uma equipe motivada, com cada vez mais recursos para trabalhar bem em sala de aula, com autonomia pedagógica e administrativa, mas com desempenho monitorado de forma incansável e muito competente. Todos os alunos têm sua fluência leitora gravada e avaliada off site durante, no mínimo, os dois primeiros anos de escolaridade. A educação no Brasil deve ser "sobralizada". Isso significa adotar as mesmas medidas estruturantes, que, por sinal, são as mesmas adotadas em países desenvolvidos. Eficácia escolar é uma “receita” extremamente difundida fora do Brasil. Aqui é que, infelizmente, o que impera são os modismos e neologismos vazios para abrir mercado para charlatões. Sala de aula invertida, aprendizagem ativa e outras baboseiras que não querem dizer nada se não houver um objetivo claro a ser ensinado e uma forma clara de o avaliar. O Estado brasileiro tem obrigação constitucional, sem falar na moral, de ensinar todos os alunos em um nível próximo ao de seus pares em países desenvolvidos.


Fonte: Gazeta do Povo