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Ligações perigosas: ”Os laços das torcidas organizadas com o tráfico de drogas e facções criminosas

Por: Elite FM
Publicado em 05/06/2020
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Torcidas organizadas e gangues urbanas ligadas ao tráfico infiltradas protestam contra Jair Bolsonaro na Avenida Paulista- Foto: NELSON ALMEIDA / AFP/Gazeta do Povo

No último domingo, uma faixa negra, com os dizeres “Somos democracia” em branco e vermelho e a imagem de um punho fechado em branco, foi estendida sob o vão do Museu de Arte de São Paulo. Lideraram o protesto integrantes de torcidas organizadas do Corinthians, ainda que membros de outros grupos, ligados a Palmeiras, Santos e São Paulo, tenham aderido. Os hinos das torcidas foram adaptados para se tornar cânticos em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. Os manifestantes lançavam paus e pedras contra os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral. Em entrevista concedida ao portal UOL Esporte durante a manifestação, Chico Malfitani, um dos fundadores da Gaviões da Fiel, declarou: “Nossa ideia agora é ser um 'gatilho de pólvora'. É riscar o primeiro fósforo, já que os partidos de oposição e movimentos populares não se manifestam.” Alex Sadro Gomes, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg),declarou: “Querem impor à força uma agenda sem nenhum debate. Hoje foi uma resposta a este tipo de movimento, uma maneira de dizer para eles que no país o que tem que valer é a democracia”. Mas será que é, de fato, democrático que torcidas organizadas, tradicionalmente ligadas a atos violentos, saiam às ruas para liderar manifestações políticas? Qual o risco de valorizar ações que parecem buscar confrontos abertos com grupos que pensam diferente? “De 2010 até 2016 foram 117 homicídios comprovados, média de quase 17 a cada ano”, escreve o sociólogo Mauricio Murad no livro Violência no Futebol. “Os vínculos desses grupos de vândalos infiltrados nas torcidas uniformizadas de futebol com outras 'gangues urbanas', como os skinheads, com o chamado crime organizado, o tráfico de drogas e o mercado negro de armas é conhecido, comprovado empiricamente. Em outras palavras, muitas vezes, analisa o especialista, as torcidas são apropriadas por grupos que têm outros interesses. “As facções transgressoras que se infiltram nas torcidas e barbarizam a sua convivência têm práticas militarizadas de poder, hierarquia, organização e funcionamento, muitas vezes são treinadas em academias clandestinas de lutas marciais, localizadas e fechadas pela polícia, em várias cidades brasileiras, onde os 'golpes mortais' têm prioridade”. Existem, diz o autor, “segmentos das torcidas organizadas ligados ao crime organizado, o que subdivide as torcidas em função das facções do crime e do tráfico”.


Fonte: Gazeta do Povo