O corporativismo não descansa nem durante a pandemia - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

O corporativismo não descansa nem durante a pandemia

Por: Elite FM
Publicado em 20/05/2020
img
Bolsonaro e Guedes: presidente prestigia ministro no discurso, mas na prática deixa portas para o corporativismo. ”Não assaltem o Brasil” diz ministro-Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República/Gazeta do Povo

Em troca de dezenas de bilhões de reais de um pacote de ajuda federal a estados e municípios, a equipe econômica comandada por Paulo Guedes só pediu uma contrapartida importante e muito razoável: o congelamento dos salários do funcionalismo por 18 meses. Depois de ter trabalhado para blindar dessa medida boa parte dos servidores, orientando a bancada governista na Câmara dos Deputados a apoiar alterações no projeto de lei, Jair Bolsonaro deu declarações prestigiando Guedes e prometendo vetar os trechos cuja inclusão que o próprio presidente havia incentivado. Antes de bater o martelo, Bolsonaro disse que gostaria de acertar ponteiros com governadores e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia sobre o tema. Enquanto isso não ocorre, um dos principais medos de Paulo Guedes está se tornando realidade: assembleias legislativas e governadores estão torrando o dinheiro prometido antes mesmo de ele chegar aos cofres estaduais, aprovando reajustes a seus servidores a toque de caixa antes que um eventual veto se torne realidade, aproveitando a inação do presidente da República. Se o dinheiro do pacote federal está fazendo falta para atender a população, por que há estados aumentando os gastos com o funcionalismo?(Isso também é uma face da corrupção, pois representa um assalto ao dinheiro público numa forma totalmente acintosa à sociedade que paga a conta).O Mato Grosso, por exemplo, concedeu aumento a servidores com salários mais altos. (em alguns casos, mais que dobrando os vencimentos), com direito a votação no sábado. Na Paraíba, os deputados estaduais aprovaram medida provisória que dava reajuste de 5% a todo o funcionalismo. No Rio de Janeiro, que está praticamente falido, o aumento só não se concretizou porque houve mobilização popular. Secretários de Fazenda pedem dinheiro ao governo dizendo que é para atender as aflições  da população e vejam a incoerência. Por que tantos estados promovem aumentos para o funcionalismo ?Por que fazer ainda mais concessões a uma categoria que, nunca é demais lembrar, passará incólume pelos apuros que milhões de brasileiros na iniciativa privada estão enfrentando, como a redução salarial, o desemprego ou a falência? O dinheiro gasto com esses reajustes não deveria estar sendo empregado nas ações de combate à pandemia, de reforço da rede hospitalar, de ajuda aos que estão sofrendo mais duramente os impactos econômicos da crise? Por tudo isso, é com toda a razão que Guedes desabafou, ao criticar os pedidos de reajuste do funcionalismo neste momento. É “inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão. Que usem a desculpa da crise da saúde para saquear o Brasil na hora em que ele cai. Nós queremos saber o que podemos fazer de sacrifício pelo Brasil nessa hora e não o que o Brasil pode fazer por nós”, afirmou o ministro, ao pedir que “não assaltem o Brasil”.” É lastimável confessar que a corrupção campeia pelo país, mesmo vendo que o Brasil gigante que está no chão e saqueado, como se fosse um caminhão carregado de frangos tombado numa rodovia à beira de uma favela.”  


Fonte: Gazeta do Povo e Elite Fm