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Pandemia expõe a principal chaga do Brasil: miséria educacional

Por: Elite FM
Publicado em 17/05/2020
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TJ-SP decidiu que livros religiosos não são válidos para redução de pena| Foto: Bigstock

Um povo ignorante não sabe em quem acreditar para salvar vidas e o que cobrar das autoridades. Na última avaliação do PISA, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da OCDE, feita com adolescentes de 15 anos de idade, o resultado mais preocupante para o Brasil é que 98% não têm capacidade de diferenciar fatos de opiniões. Isso mesmo. Apenas 2 em cada 100 brasileiros de 15 anos sabem a diferença entre uma opinião e um fato. Pelas redes sociais a gente percebe que entre os mais crescidos a proporção não muda muito, infelizmente. Numa pandemia, este é o primeiro ingrediente do caos. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento", cravou de forma emblemática Daniel Boorstin, autor do sempre contemporâneo The Image. A principal fonte de desinformação na pandemia é a soberba que impede a percepção da própria ignorância, entre os medíocres com diploma. Neste contexto também tem culpa a imprensa, que tem feito nos últimos anos uma salada macabra entre fatos, opiniões e fantasias - e não só no Brasil. Há uma confusão não apenas entre fatos e opiniões, mas entre opiniões e fantasias. Para opinar, um indivíduo precisa ter base teórica, conhecimento dos fatos e experiência no assunto. Caso não tenha, continua tendo todo direito de expressar como se sente a respeito, o que intui, o que lhe parece, mas não se trata de opinião,mas de imaginação, fantasia, intuição. O erro é tratar essas manifestações como opiniões, o que só é possível num contexto de miséria educacional. Todos nós temos o direito de expressar o que quisermos e da forma como quisermos sobre a pandemia e o sofrimento que estamos vivendo. Mas quais dessas expressões podem ser consideradas opiniões relevantes para o público sobre saúde pública e economia? Claramente nossa miséria educacional nos impede de saber. Um problema é a deficiência educacional que leva indivíduos a acreditar piamente em quem parece bem formado, sem ter condição de avaliar se aquela pessoa é formada e experiente o suficiente para opinar naquela área específica do conhecimento. Mas há um problema ainda mais grave: o sujeito com alguma formação e muita soberba que, pela mediocridade do nosso sistema educacional, sequer imagina que não tem a menor condição técnica e intelectual de opinar sobre um tema. Então ele opina, influencia, é seguido e, quando dá errado, foge da responsabilidade. Por qual razão há brasileiros com diploma universitário que acreditam em análise de curva epidemiológica feita por quem não tem formação nem experiência de sucesso na área? Indigência educacional. Não formamos pessoas com capacidade para avaliar em quem acreditar. 


Fonte: Madeleine Lacsko-jornalista e consultora internacional-Gazeta do Povo