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A grandeza de Moro e a indignidade de Bolsonaro

Por: Elite FM
Publicado em 25/04/2020
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Sergio Moro foi aplaudido após o pronunciamento em que explicou seu pedido de demissão.| Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Gazeta do Povo

Que país é este? Em um ato de envergadura ímpar, que terá consequências importantíssimas para o país, o agora ex-ministro Sergio Moro expôs, em pronunciamento na sexta-feira, os embates finais com o presidente Jair Bolsonaro que levaram ao seu pedido de demissão do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Com a tranquilidade que sempre o caracterizou, mas sobretudo com a precisão, o equilíbrio, todo o respeito possível ao (até então) superior hierárquico e extrema coragem, próprios de um estadista e um homem de bem, Moro desnudou a pressão que Bolsonaro vinha exercendo sobre ele e sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, para que este fosse exonerado. Quando Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro, assim o fez porque estava convicto de que poderia fazer pelo Brasil ainda mais do que já vinha fazendo na qualidade de juiz federal, especialmente à frente da Operação Lava Jato. No que esteve ao seu alcance, não tem do que se arrepender, e demonstrou isso ao anunciar sua demissão. A preocupação pelo bem do país sempre norteou suas atitudes. Quando vários episódios mostraram que a “carta branca” prometida publicamente por Bolsonaro a Moro quando de sua nomeação era mais uma peça de ficção que um compromisso real, o ministro jamais deu declarações públicas que enfraquecessem o presidente, pois sabia das consequências que isso teria; mesmo no pronunciamento de sexta-feira Moro se absteve de dar mais detalhes que os estritamente necessários para que o Brasil compreendesse sua decisão. O pedido de demissão certamente não foi uma decisão fácil, mas era inevitável à luz do que estava em jogo para o bem do Brasil. Por tudo isso, a saída de Moro é um baque para muitíssimos brasileiros esperançosos por um país melhor e que viram, na escolha do até então juiz da Lava Jato, a esperança de que a nação deixasse definitivamente para trás anos de roubalheiras cometidas pelos governos antecedentes, em nome de um projeto de poder absolutamente nefasto. Na sexta-feira,24 festeja a bandidagem. Festejam as milícias reais e virtuais. Festejam os corruptos à esquerda (e aqueles que os chamam de “guerreiros do povo brasileiro”), à direita e ao centro. Festejam os que promoveram todo o circo midiático contra Moro e a Lava Jato. Já o Brasil e os bons brasileiros só têm a lamentar. Bolsonaro ao tratar Moro da maneira como tratou, demonstrou que não tem palavra e não está à altura do cargo que tantos brasileiros, de boa fé e crentes em seu discurso, lhe concederam nas urnas. O “mito” está nu como nunca antes havia estado. Sergio Moro, por outro lado, fez valer, mais uma vez, o lema que implantou no Ministério da Justiça: “faça a coisa certa, sempre”. Moro fez.


Fonte: J.R.Guzzo -Gazeta do Povo