Analistas defendem “regime de guerra” para evitar catástrofe na saúde e na economia - Elite FM 101.7 - Energia positiva no ar!

Analistas defendem “regime de guerra” para evitar catástrofe na saúde e na economia

Por: Elite FM
Publicado em 26/03/2020
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A rápida disseminação do novo coronavírus e a necessidade de isolar países inteiros para conter o avanço da doença parecem ter convencido alguns líderes mundiais de que a Covid-19.No Brasil, porém, o presidente Jair Bolsonaro ainda resiste em impor medidas mais drásticas. O fato é que parte significativa dos economistas, incluindo analistas do mercado financeiro, considera o cenário  semelhante ao de uma guerra, e que requer um plano de ajuda econômica com amplo dispêndio de recursos estatais. É como pensar em termos de um mal menor. Não é desejável que o governo aumente gastos à toa, mas nesse momento é preciso maior intervenção estatal para manter a economia girando. A conta pode sair bem mais cara se o governo não agir", aponta Bruno Lavieri, economista da 4E Consultores. "A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – clube de países ricos do qual o Brasil quer participar – também aponta a necessidade de ajuda governamental, com a postergação do pagamento de impostos e pacotes de apoio aos setores mais afetados.Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira tem posição ainda mais enfática. No texto, ele defende que o governo "deve garantir a solvência das empresas e do emprego. Não importa quanto custe do ponto de vista fiscal".O princípio desse tipo de recomendação é o seguinte: se, no período de disseminação do vírus, o governo ajudar trabalhadores informais e pequenas e médias empresas a se manterem, a depressão econômica pós-coronavírus tende a durar menos, e o desemprego pode não se aprofundar tão significativamente.Adriano Biava, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), afirma que é possível que o governo "abra a torneira" dos gastos para ajudar trabalhadores e empresas agora, sem descuidar do equilíbrio fiscal. ""Não é gastar irresponsavelmente. É gastar bastante e bem. A prioridade tem que ser manter a renda da maioria da população – e o papel do Estado torna-se agudo neste momento. Não há outra alternativa", diz.Um dos caminhos apontados pelo professor é de que o governo postergue alguns compromissos, em especial com a dívida pública, para dar conta dos gastos excepcionais. "Não é um calote, é um adiamento. Se não for suficiente, o estado pode instituir tributos temporários, que incidam sobre os contribuintes de mais alta renda", defende Biava.O governo federal, por enquanto, não adotou medidas típicas de "economia de guerra", como a determinação para que determinadas fábricas convertam sua produção para equipamentos de saúde, por exemplo. Mas o Legislativo já analisa propostas como a proibição da exportação de produtos médicos e hospitalares essenciais para o combate ao coronavírus.


Fonte: Gazeta do Povo