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O coronavírus e a escolha entre o individualismo e a solidariedade

Por: Elite FM
Publicado em 23/03/2020
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"Em condomínios, moradores mais jovens estão se oferecendo para fazer compras para vizinhos idosos.| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

Uma consequência quase inevitável, à medida que a pandemia do coronavírus se espalha por cidades e países, é o declínio do convívio social. Aqueles que se descobrem infectados precisam necessariamente se recolher em quarentena, e muitos outros decidiram impor o isolamento para si mesmos e suas famílias como um meio de evitar ocasiões de contágio ou, ainda, para não se tornarem transmissores do vírus caso já tenham sido contaminados. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fala em dois ou três meses de “muito estresse”. A quarentena, voluntária ou imposta, é um teste severo para nossa sociedade, que tem diante de si a opção entre o individualismo em que vale tudo para proteger a si mesmo ou a força da empatia e da solidariedade. Trata-se de compreender que os demais também têm suas necessidades e estão passando pelo mesmo desafio. É por isso que os supermercados se tornaram mais o novo campo de batalha entre o individualismo e o senso de comunidade. À medida que os brasileiros percebem que, em algum momento, terão de permanecer em casa, deu-se início a uma corrida ao comércio para comprar mantimentos e artigos de higiene, com o intuito de reduzir a necessidade de novas idas a supermercados no futuro – é bom lembrar que, mesmo nos países que adotaram quarentenas forçadas, como a Itália, os mercados seguem abertos, embora com restrições ao número de clientes dentro dos estabelecimentos. O individualismo manda levar tudo o que puder, mesmo que desnecessariamente; o bom senso recomenda colocar no carrinho apenas o necessário, já que os outros também precisarão abastecer suas despensas. Se o isolamento ajuda a manter os idosos longe de situações de contágio, ele também tem suas consequências negativas.  A revista britânica The Lancet publicou, em fevereiro, uma revisão de diversos estudos sobre os efeitos psicológicos da quarentena sobre várias comunidades em surtos anteriores, como da Sars (causada, aliás, por outro tipo de coronavírus) e do ebola. Os efeitos vão desde o medo e a solidão até um estresse pós-traumático que pode continuar se manifestando até anos depois do fim do isolamento.


Fonte: Gazeta do Povo