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Perfil dos doentes por Covid-19 deve envelhecer no Brasil nas próximas semanas

Por: Elite FM
Publicado em 23/03/2020
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Foto: Bernardo Portella/Gazeta do Povo.

Com a mudança na estratégia de testes para a Covid-19, priorizando pacientes em estado grave, perfil dos doentes deve envelhecer. Na última semana, a maioria dos infectados pelo novo coronavírus no Brasil tinha menos de 40 anos. Dos 294 casos confirmados à época (segunda-feira, dia 16), 54% estavam nessa condição, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Metade era de mulheres, 49% de homens e 1% não estava identificado. O percentual por faixa etária ia caindo conforme o avanço da idade e o número de pessoas com mais de 60 anos  afetadas era de apenas 13%. Porém, em meio a mudança de estratégia de testagem – priorizando casos mais graves – devido ao baixo número de testes disponíveis considerando o rápido avanço do contágio, a balança deve inverter e ter cada vez mais casos com pessoas de idade avançada. "O que virá pela frente são casos graves e de internação. A expectativa é de que a idade dos casos confirmados fique mais alta pelo viés de seleção de quem será testado", diz o médico infectologista Giovanni Breda, professor da Escola de Medicina da PUCPR. "Além de dados com pacientes de mais idade – grupo de risco junto com doentes crônicos –, outro indicador deve mudar. "Proporcionalmente teremos mais mortalidade, porque teremos o perfil claro de quem está internado [com maior chance de ir a óbito] e não da circulação do vírus em geral", completa Breda. O médico destaca que o número absoluto de casos não é a melhor forma de comparar a situação da Covid-19 pelo mundo. Isso se deve ao fato de que os países têm adotado diferentes estratégias de testagem. Na Coreia do Sul e Singapura, que apresentam taxas de mortalidades inferiores aos países europeus, por exemplo, essa diferença ocorreu porque testam muito mais pessoas percentualmente em suas respectivas populações."O melhor cenário seria comparar os pacientes internados. A mortalidade desse público"."Há 11 anos, na pandemia do vírus Influenza A H1N1, a situação foi semelhante no Brasil. Após confirmada a transmissão comunitária, apenas quem apresentava síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e precisava de internação era testado para confirmar o diagnóstico. O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta admitiu que o país trabalha apenas com uma parte da informação, que chamou de "ponta do iceberg". "Para cada caso confirmado, tem um [grande] número não confirmado", disse. Ninguém vai ser prejudicado por não ter o teste, ele serve para identificar quem tem o vírus e para entrar em isolamento, mas já recomendamos que as pessoas sintomáticas façam isolamento independentemente do teste.


Fonte: Gazeta do Povo