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Por que a Argentina de Fernández precisa do Brasil, apesar das divergências

Por: Elite FM
Publicado em 17/02/2020
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Bolsonaro recebeu Felipe Solá, ministro das Relações Exteriores da Argentina- Foto: Carolina Antunes/PR/Gazeta do Povo

O novo governo da Argentina, do presidente Alberto Fernández, tem tentado passar por cima das divergências com Jair Bolsonaro para evitar perder as vantagens da parceria comercial com o Brasil. A disposição de dar o braço a torcer ficou clara em visita do ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, Felipe Solá,a Brasília. Solá se encontrou com Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, e com o presidente Bolsonaro. Chamou as reuniões de “um marco de aproximação e amizade” e indicou que o governo argentino está disposto a ceder em pautas que pareciam fadadas ao conflito após a troca de governo na Argentina – em dezembro, Mauricio Macri, presidente com políticas econômicas de viés liberal, deu lugar a Fernández, um kirchnerista. Depois do encontro com Bolsonaro, Solá sugeriu que Fernández e o presidente do Brasil poderão ter uma reunião durante a posse de Lacalle Pou, presidente do Uruguai, que ocorre no dia 1º de março. Disse que a ideia partiu do próprio Bolsonaro. Quando Fernández foi eleito, o presidente brasileiro afirmou: “Lamento. Eu não tenho bola de cristal, mas eu acho que a Argentina escolheu mal”.  O argentino, por sua vez, já chamou Bolsonaro de “racista, misógino e violento” e disse que “não tem problemas em ter problemas com ele”. Além disso, Fernández é um entusiasta do ex-presidente Lula. A expectativa do governo argentino é de que, apesar das diferenças relevantes no campo ideológico – que também envolvem, por exemplo, o tratamento dado à Venezuela –, a parceria comercial entre os dois países não seja afetada de forma relevante, a ponto de acentuar ainda mais a crise econômica da Argentina. Para isso, os argentinos têm admitido, desde o começo do governo, a possibilidade de concessões importantes na área econômica, o que inclui revisões de posicionamento em relação ao Mercosul. Além disso, a chancelaria da nação vizinha vem fazendo esforços para mostrar que quer uma relação amigável com o Brasil.


Fonte: Gazeta do Povo