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O desmonte do combate à corrupção

Por: Elite FM
Publicado em 29/01/2020

Desde 2014, instituições e cidadãos vêm empreendendo o maior esforço da história brasileira contra a corrupção. No entanto, “as classes privilegiadas nunca desistem dos seus privilégios sem forte resistência”. Deltan Dallagnol apresentará  uma série de artigos  sobre retrocessos que vêm ocorrendo na luta brasileira contra a corrupção, mas não sem sugerir caminhos, apontar saídas e incentivar o fortalecimento da cidadania. Nos últimos cinco anos, a Lava Jato e outras grandes operações revelaram como ladrões que ocupam cargos na estrutura do Estado usam sua influência para enriquecer e perpetuar seu poder. Foram acusados quatro ex-presidentes, dezenas de (ex-)parlamentares e ex-ministros de diferentes partidos, dois ex-chefes da Casa Civil, dois ex-presidentes da Câmara dos Deputados, três ex-governadores, sócios e executivos de grandes empreiteiras e lavadores de dinheiro profissionais. É ilustrativo que uma única empresa tenha mencionado 415 políticos de 26 partidos em seu acordo de leniência, os quais incluíam quase um terço dos ministros e metade dos governadores de então. Em Curitiba, 498 pessoas já foram denunciadas e 159 foram condenadas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. As penas ultrapassam 2,2 mil anos de prisão. A corrupção  pode ser assim simplificada: muitos partidos e políticos desonestos indicam, para a chefia de órgãos públicos federais, estaduais e municipais, apadrinhados incumbidos de arrecadar propinas. A  Lava Jato é o mais eficiente programa de combate à corrupção, mas quando chega  ao STF, apenas uma teve condenação e sem punição exemplar os corruptos  se convencem de que o crime compensa. Criou-se até o cúmulo  da terceira instância, que vem  a ser a cereja do bolo da corrupção. 


Fonte: Deltan Dallagnol-Gazeta do Povo