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Sem alarde, privatização da Petrobras já está em curso

Por: Elite FM
Publicado em 25/01/2020
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Privatização da Petrobras está acontecendo sem alardes-Foto: Petrobras/Divulgação/Gazeta do Povo

A privatização da Petrobras é sonho antigo daqueles que, como Paulo Guedes, não acreditam que o Estado pode ser bom empresário. Mas sempre existiram obstáculos entre o sonho e a realidade. Afinal, a Petrobras historicamente se posicionou como grande monopolista do setor de óleo e gás no Brasil. Como seria possível vender uma estatal que corresponde a todo um setor da economia? Como evitar o surgimento de novos monopolistas privados? Nos anos 1990, esse monopólio foi quebrado formalmente, mas seguiu existindo na prática. Por exemplo, a Petrobras controla quase 100% das refinarias em território nacional. Como resultado, uma canetada no preço do petróleo refinado era suficiente para manipular as etapas subsequentes da produção. Shell, Ipiranga e outros concorrentes privados operavam postos de gasolina, mas essas empresas compravam petróleo refinado pela estatal. Este foi o mecanismo utilizado por Dilma para manipular a inflação e controlar o preço da gasolina no seu governo. Em tese, até era possível concorrer com a Petrobras nessas etapas da produção, mas a estatal domina também a demanda, com participação em 45% das usinas termelétricas movidas a gás natural. A velha Petrobras morreu. Para ser mais preciso, está morrendo agora, sem grande alarde nos jornais. A estatal passou a vender boa parte das suas subsidiárias para honrar dívidas dos tempos de Petrolão. A ideia é vender subsidiárias até que a Petrobras se torne uma empresa enxuta. Ao invés de monopolizar todas as etapas de um setor, a nova Petrobras terá foco na extração de óleo em águas profundas – em outras palavras, no pré-sal.Com esse norte, Temer e Bolsonaro já privatizaram boa parte da estatal. A BR Distribuidora, uma das mais famosas subsidiárias da estatal, foi vendida no ano passado. No setor de gás, o mesmo ocorreu com a TAG, maior transportadora do gás nacional, que foi vendida a uma multinacional franco-belga por R$ 33,5 bilhões. E é só o começo. Neste 2020, toda a atenção se volta para a venda de refinarias. Ou seja, a gasolina será precificada por regras de mercado, conforme oferta e demanda, sem espaço para novas Dilmas. Caso os caminhoneiros façam novas greves pedindo canetadas para derrubar preços, o governo já não terá como entregar o que pedem. Até mesmo os ambientalistas devem comemorar a novidade. Com preços de mercado, a caneta presidencial perderá seu poder de quebrar produtores de energia limpa, como ocorreu durante o governo Dilma. Quando o governo baixa preços da gasolina na marra, sem fundamentos econômicos, produtores de etanol costumam ir à falência da noite pro dia. O Brasil não pode ficar refém desse monopólio.


Fonte: Pedro Menezez/Gazeta do Povo