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A escolha positiva de um candidato é fruto de um juízo de valor do eleitor

Por: Elite FM
Publicado em 25/01/2020

 Na escolha de candidatos há grupamentos fiéis, particularmente entre estratos médios, formadores de opinião, segmentos engajados em partidos, setores religiosos, imigrantes de sangue anglo-saxão e núcleos ideológicos. Os grandes contingentes são amorfos, alheios ao cotidiano político e capazes de mudar de posição, de acordo com as circunstâncias e as necessidades imediatas. A infidelidade do eleitor tem a ver com a incultura política que semeia florestas de desinteresse pelos espaços nacionais, incluindo os centros mais evoluídos. Basta lembrar que eleitores da metrópole paulistana elegeram Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Marta Suplicy, José Serra, Fernando Haddad e João Dória, entre outros. Alguns de estilo e pensamento opostos. Nas veias eleitorais, corre um sangue versátil, inseminado nos tempos da Colônia. A sinuosidade, a desconfiança, a versatilidade, a capacidade de adaptação aos espaços são traços de nossa cultura, decorrentes das grandes lutas pela conquista do Interior, no início da colonização. A luta pela sobrevivência, a pressão da natureza e o mundo de hostilidades formaram o cinturão mutante que aperta o estômago nacional, sujeitando-o às circunstâncias e ao meio ambiente. Os vetores de decisão do eleitorado são influenciados, ainda, por dois elementos que parecem paradoxais. De um lado, um pessimismo galopante, que se faz presente nas locuções de que o “o país não tem jeito, estamos todos perdidos, não vale a pena lutar por isso etc”. O pessimismo induz o eleitor a se afastar dos políticos, que, indistintamente, ganham a pecha de “ladrões e corruptos”. Perfis populistas e messiânicos levam a melhor, ao sintonizarem a linguagem com a imprecação popular. Não por acaso, o chavão “bandido bom é bandido morto, lugar de bandido é na cadeia”. Já o otimismo tem nuances ufanistas e também marca o caráter nacional. Nossas grandezas ganham a expressão superlativa: o maior carnaval do mundo, o maior São João do mundo, o maior produtor disso e daquilo, as mulatas mais bonitas, as melhores iguarias, algumas das maravilhas do planeta. Para o eleitor, mar turbulento revirará o estômago e o passageiro pessimista irá para a oposição; mar tranquilo levará o eleitor para a continuidade de uma travessia sem turbulências. 


Fonte: Gazeta do Povo