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O Brasil viveu o mito do Eldorado

Por: Elite FM
Publicado em 24/01/2020

 Além do mito de “Visão do Paraíso” o Brasil teve o “Mito do Eldorado”. As riquezas apareciam ao longo das descobertas do ouro e das pedras preciosas. Na esteira da exploração predatória, outro conjunto de valores tomou corpo: a cobiça, a ganância, a traição, a destruição da natureza, a ambição, a disputa, a guerra entre grupos, os conflitos. O inferno verde é o terceiro mito. A cobiça levou os colonizadores ao interior profundo. A floresta despontava como ambiente inóspito, selvagem, agressivo. As doenças debilitaram corpos, fustigando as mentes. Claude Lévi-Strauss, em seu celebrado Tristes Trópicos, radiografava o Brasil como o lugar mais inabitável do planeta, onde seria impossível a um homem sobreviver. Na paisagem da conquista do interior do País, outro feixe de características aparece: a miséria, a desorganização, a improvisação, a sujeira, a marginalidade, o desleixo. A par dos mitos, outros conjuntos valorativos surgiam, frutos da miscigenação. Quem não conhece o perfil individualista do brasileiro? “Você sabe com quem está falando?” E a nossa propensão para a imprecisão, para a ausência de objetividade? “Quantas horas você trabalha por semana?” Previsível resposta: “trabalho mais ou menos 40 horas”. O mais ou menos é coisa muito nossa. O fingimento é outro traço. O político, ao cumprimentar o interlocutor, pisca para alguém que está ao lado. Quem não já de defrontou com a expressão catastrófica ou o complexo de grandeza, comuns em nossa interlocução diária? Somos os melhores e os piores do mundo em matéria disso e daquilo; temos os maiores potenciais, as maiores riquezas ou a mais degradante miséria. Não somos imediatistas, mas treinados na arte da protelação. Cultivamos a semente da anarquia. Ou, como bem o diz Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil: “os elementos anárquicos sempre frutificaram aqui facilmente,com a cumplicidade ou a indolência displicente das instituições e costumes. 


Fonte: Gazeta do Povo