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O maior mal do Brasil é ter transformado a política em profissão

Por: Elite FM
Publicado em 21/01/2020

A política brasileira deixou de ser missão, nos moldes do pensamento aristotélico de servir à polis, para se transformar em profissão. Sendo assim, a política deixou de ser um sistema-meio para suprir e administrar as necessidades do povo, para ser um fim em si mesmo. Transformou-se em escada para promover pessoas e facilitar negócios, um dos melhores da Federação. O empreendimento é a conquista do mandato; o produto político é a intermediação; e o mercado cobre um território com 27 Estados (com o DF) e nichos de interesses distribuídos em três esferas: federal, estadual e municipal. Nesses espaços, mesmo sob um conjunto de controles, principalmente pelos Tribunais de Contas, desenvolve-se uma “indústria do superfaturamento”. Obras públicas nas três malhas da administração geralmente são feitas com um “plus”, um dinheiro a mais, que é desviado para cofres de campanhas, formando o círculo vicioso responsável pelo lamaçal. O PIB informal da política é algo escandaloso, chegando a superar a imaginação dos alquimistas financeiros mais sofisticados. O negócio da política mexe com cerca de 150 milhões de consumidores, que formam o contingente eleitoral. Para chegar até eles, um candidato gasta, em média, R$ 15 reais por eleitor, quantia que pode ser três a quatro vezes maior, se o político for um iniciante e rico. Numa campanha para deputado federal em São Paulo gastam-se entre R$ 1,5 milhão (custo menor) a R$ 3,5 milhões (custo médio). A maioria dos eleitos gasta bem mais que a soma dos salários em quatro anos de mandato. Se a campanha política no Brasil é tão dispendiosa e se os candidatos gastam acima do que ganham, por que se empenham tanto em assumir a espinhosa e sacrificada missão de servir ao povo? 


Fonte: Gazeta do Povo