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Dilapidação da coisa pública pelos regimes políticos é uma tragédia

Por: Elite FM
Publicado em 21/01/2020

A dilapidação da coisa pública é um fenômeno inerente a todos os regimes políticos, mas nas culturas políticas subdesenvolvidas assume a conformação de tragédia. Quando o cidadão não é impelido por suas necessidades, impelem-no pelo menos os seus desejos, pois, entre todos os bens que o rodeiam não há nenhum que esteja inteiramente fora de seu alcance. Ele se considera em condições de se apoderar de tudo. Principalmente, quando investido de poder normativo e institucionalizado. Essa sinalização do ethos de nossa política vem lá de trás, de D. João III, ao criar as 14 capitanias hereditárias, fez uma distribuição aos donatários amigos do Rei. Que se acharam donos daqueles imensos pedaços de terra. Começou por aí a invasão do espaço público pelo interesse privado, dando lugar aos “ismos” de nossa política: mandonismo, grupismo, fisiologismo, caciquismo, galhos da árvore patrimonialista. Certos mandatários acham que cargos públicos são suas posses. Portanto, o mandato não deixa de ser uma forma de conquista de recompensas e amortização de débitos. Esboça-se, assim, um quadro global de amoralidades e ilicitudes que só vêm à tona quando as águas sujas transbordam no copo dos donos do poder. 


Fonte: Gazeta do Povo