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O que a lista de livros mais vendidos realmente diz sobre os leitores brasileiros

Por: Elite FM
Publicado em 17/01/2020

Na semana passada, a consultoria Nielsen divulgou alista dos 15 livros mais vendidos no Brasil em 2019. Alguns detalhes chamam a atenção. O primeiro é que na lista só há livros de autoajuda pessoal e financeira e nenhum livro de ficção. Outro é a baixa rotatividade dos títulos que figuram no ranking, apesar de as editoras brasileiras lançarem milhares de títulos novos todos os anos: só um dos 15 livros teve sua primeira edição em 2019. Por fim, há dois brasileiros na concorrida e invejada lista – Paulo Vieira e Luccas Neto – e nenhum deles é sucesso de crítica nem participa do chá da tarde na Academia Brasileira de Letras. A lista gerou uma torrente de lágrimas por parte de intelectuais com espaço no debate público e sobretudo por parte daquele tipo de intelectual que “adora cheiro de livro” e aparece o tempo todo no Instagram diante de uma estante cheia de lombadas multicoloridas, entre as quais podemos identificar facilmente um Shakespeare ou Machado de Assis nunca tocado. Decepcionante, disse um. Deprimente, chorou outro. Como assim nenhum livro de poesia?, desesperou-se um terceiro. Toda essa reclamação e tristeza revelam três coisas. A primeira é uma profunda dissociação entre o que os intelectuais acreditam que o brasileiro deva ler e o que o brasileiro lê de fato. A segunda é uma postura superior e autoritária que, nos últimos vinte ou trinta anos, só contribuiu para alienar ainda mais os intelectuais e criar um clima de anti-intelectualismo no já reduzido público consumidor de livros. Por fim, e mais importante, a reação de certa intelectualidade de cavanhaque e a mão sempre pregada ao queixo mostra que a elite editorial ignora e despreza a ascensão, nas últimas décadas, de uma mentalidade técnica que prefere manuais e caminhos que prometem ser diretos e rápidos à reflexão tortuosa e ineficiente da ficção.


Fonte: Gazeta do Povo