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O verdadeiro impacto do dólar mais alto sobre a dívida pública do Brasil

Por: Elite FM
Publicado em 12/12/2019

A alta no dólar acendeu alguns sinais de alerta na economia brasileira e já há quem questione qual o efeito dessa escalada da moeda americana para a dívida pública. A questão é que há algum tempo a dívida pública interna do país é bem mais elevada do que a externa. Além disso, as reservas internacionais brasileiras formam um bom colchão e, ainda que o Banco Central esteja vendendo dólares à vista para conter a desvalorização do real, esse patamar segue sendo confortável – e muito superior ao tamanho do endividamento externo. Atualmente, a dívida pública federal (DPF) do país é de R$ 4,12 trilhões, de acordo com os dados do Tesouro Nacional referentes ao mês de outubro. A dívida externa, que é mais influenciada pelo câmbio, representa apenas 3,75% desse total. Ela encerrou outubro em R$ 154,7 bilhões (US$ 38,64 bilhões, de acordo com os cálculos do Tesouro), o que representou um recuo de 4,8% em relação ao mês anterior. Juliana Inhasz, coordenadora da graduação de Economia do Insper, explica que a moeda brasileira desvalorizada torna uma parcela muito pequena da dívida brasileira mais cara. Enquanto isso, grande parte da dívida pública é corrigida pela taxa de juros, que está no menor nível da história. Esse contrapeso acaba “compensando” o efeito da alta da moeda americana sobre o endividamento. Esse impacto é contrabalançado por mais um fator: as reservas internacionais do país, que somam US$ 366,4 bilhões, de acordo com dados do Banco Central referentes a 29 de novembro. O montante corresponde a mais que o dobro do valor da dívida externa é o principal ativo do país, o que conta para o cálculo da dívida líquida. Fabio Klein, especialista em contas públicas da Tendências Consultoria Integrada, explica que esse “colchão” das reservas coloca o Brasil como credor externo e deixa o país muito mais protegido de choques cambiais do que vizinhos como a Argentina.


Fonte: Gazeta do Povo