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Ter mais professores com ensino superior não melhorou o desempenho dos alunos no Brasil

Por: Elite FM
Publicado em 23/09/2019

Nos quase 23 anos desde a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de dezembro de 1996, a qualificação dos professores brasileiros aumentou consideravelmente. Entre 1995 e 2015, o percentual de professores de educação básica com nível superior completo saltou de 49% para 83%. Entre os profissionais de ensino de ensino médio, foi e 82% para 93%.Neste período, outros indicadores melhoraram: a cobertura educacional de nível secundário foi de 5,4 milhões para 8,1 milhões. Além disso, o percentual de alunos frequentando o ensino noturno caiu de 40,2% para 25,6%, o tempo dentro da sala de aula por dia cresceu de 4,4 para 4,8 horas, o número médio de alunos por sala melhorou, de 34 para 31 e o percentual de alunos cujas mães têm ensino secundário completo saltou de 38,2% para 46,2%.Apesar de todo esse esforço, o desempenho dos alunos continua ruim. Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) indicam que, ao final do ensino fundamental, o percentual de alunos com níveis básicos de conhecimento de matemática caiu, de 11,6% em 1995, para 7,3% em 2015. Em Português, foi de 45,4% para os atuais 27,5%. Como isso foi possível?  Um novo estudo do Banco Mundial busca responder a essa pergunta.Três Respostas: Uma maior proporção de professores com formação de nível superior não necessariamente implica em maior qualidade do ensino”, afirma o pesquisador Marcelo Ponte Barbosa, um dos autores do estudo. O problema   está  na qualidade desta formação, que muitas vezes é ”pro-forma” sem atender à diversidade de alunos. Os cursos de pedagogia são de fácil acesso, e não atraem os melhores alunos. O terceiro motivo estaria no nível dos cursos de graduação, insuficiente, e no fato de que muitos professores não têm formação específica. Parece haver uma espécie de perpetuação da baixa qualidade do ensino, resultante do fato de que parte significativa dos alunos das licenciaturas vem com déficits acumulados que o sistema de ensino superior não parece capaz de sanar. No fundo, a principal causa  da má educação no Brasil é que nunca houve projeto de Estado envolvendo a educação. Cada governo pregava prioridade em educação, mas  tudo ficou  na retórica e os índices despencando. 


Fonte: Gazeta do Povo