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Conversas da Lava Jato não deviam ser publicadas, diz ex-juiz italiano que inspirou Moro

Por: Elite FM
Publicado em 06/09/2019
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Antonio Di Pietro, ex-juiz da Mãos Limpas, operação italiana que inspirou a Lava Jato, em palestra em Curitiba, promovida pela Lec Experience.| Foto: Andrea Torrente/Gazeta do Povo

O ex-juiz italiano Antonio Di Pietro, membro da força-tarefa da Operação Mãos Limpas, que no Brasil inspirou a Lava Jato, não tem dúvida: a origem ilícita das conversas atribuídas a procuradores e ao ex-juiz Sergio Moro publicados pelo site The Intercept Brasil deveria importar mais que o conteúdo. “Acho que quem publicou essas interceptações primeiro deveria justificar como as obteve. Se foram frutos de um crime, não deveriam ter sido publicadas”, afirma. A exatos 25 anos do fim da operação que abalou o sistema político italiano, Di Pietro ainda é convidado na Itália e no exterior para contar os bastidores da atuação da força-tarefa e traçar paralelos com a Lava Jato. “Dizer que a Mãos Limpas ou a Lava Jato são investigações falsas é um modo para não enfrentar a realidade. Teve corrupção na Itália e teve aqui também”, disse em palestra em Curitiba, na quarta-feira (4).Hoje, aos 68 anos, Di Pietro atua como advogado criminalista especializado em crimes de colarinho branco e crimes contra a administração pública e não vê anomalias ou suspeitas de imparcialidades do então juiz Sergio Moro nas conversas com o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Segundo o ex-juiz italiano, os vazamentos são uma tentativa de deslegitimação da operação. “Dizer que Di Pietro, ou Moro, fez isso ou aquilo é um atalho para desviar a atenção da opinião pública”, afirmou diante da plateia de uma centena de pessoas que participavam de um evento sobre compliance. Di Pietro defende o sistema, não o indivíduo e na Itália, a imprensa teve grande responsabilidade, positiva e negativa, na evolução da Mãos Limpas. Di Pietro ressaltou que essa troca de informação de Sérgio Moro com outras autoridades teve como objetivo a busca da verdade, esse é o papel de um juiz e de um procurador. "Os advogados da defesa alegam que não tinham o mesmo acesso a Moro como tinham os procuradores e Di Pietro esclarece: Há nisso uma diferença enorme. A acusação pública busca a verdade, a defesa busca a melhor solução para o cliente que pode contrariar a verdade dos fatos.


Fonte: Gazeta do Povo